06/07/2026
Drama

A quarta parede

Um grupo de jovens atores e atrizes disputa os quatro papeis de uma montagem teatral. Quando sai o resultado, ânimos são exaltados, egos feridos e rivalidades acirradas.

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A quarta parede é um filme repleto de grandes ambições, e, como cinema, problemas maiores ainda. Dirigido por Hudson Senna, a partir de um roteiro de Bruno Autran, o longa é um projeto de conclusão de curso da Escola de Atores Wolf Maya. Seu tema são os bastidores de uma produção teatral. O longa parece querer trazer à tela as disputas, picuinhas e amizades que se fortalecem na montagem de uma peça.
 
Na primeira cena, vemos um enterro, e vários jovens indignados e tristes postam suas emoções nas redes sociais. A partir daí, o longa acompanha um grupo de atores e atrizes iniciantes disputando quatro papéis numa produção de uma escola de teatro da peça Entre quatro paredes, do filósofo e escritor francês Jean-Paul Sartre. O teste, comandado por um diretor cruel, é um jogo de tortura e humilhação.
 
Quando não estão reclamando de não terem sidos selecionados, para a peça, esses jovens estão festejando, bebendo e usando drogas. Quando não fazem isso, embarcam em discussões filosóficas e sociológicas sobre temas como o que é arte e Lei Rouanet. Deveria haver uma verdade nisso tudo, pois este é o universo dessas pessoas, mas parece não haver uma nota de verdade nas discussões ou mesmo nas atuações – o que é de se espantar, visto que o filme é produzido por uma escola de interpretação.
 
Talvez seja mais impressionante ainda é a visão tão negativa que o filme tem da arte, do teatro e da profissão de ator. Esse universo se resume a abusos físicos e emocionais, disputas que beiram a infantilidade. É uma visão do purgatório que o filme parece dizer ser necessário enfrentar enquanto se está começando na carreira – o que é algo um tanto pessimista e bastante desanimador.
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