Desde o início sabemos o que se passa. Gabriel (o próprio Bortolotto, à vontade no papel do escritor que ele próprio criou), recebe a visita de Diego (Eldo Mendes), durante uma forte chuva. Parece uma visita esperada. Diego voltou do velório de um amigo comum, Enzo, que Gabriel tem motivos para desprezar. O amigo morto se envolveu com a mulher do escritor e destruiu seu casamento.
Enquanto a chuva não passa, os dois amigos conversam. Mais por iniciativa de Diego do que de Gabriel. Diego coloca o dedo na ferida e insiste em retomar o tema da traição, forçando o amigo a novamente se manifestar. É uma conversa dura, só possível entre dois amigos, que lançará alguma luz sobre o passado dos quatro personagens: Gabriel, Diego, Enzo e Luciana, a ex-mulher de Gabriel.
Sem recursos adicionais além dos diálogos quase declamados e do passeio da câmera pelos ambientes da casa, o filme nunca se afasta da estética teatral. A chuva vista pela janela embaçada, a garrafa térmica de café, os copos e a garrafa de uísque que troca de mãos também são artifícios do teatro. Tudo ali é falso. Resta a Gabriel e Diego tornar a história o mais verossímil possível.
