06/07/2026
Drama

Dias vazios

A vida de dois casais de namorados se espelha em uma pequena cidade de Goiás, onde nada acontece. O desaparecimento da moça de um dos casais abre uma nova vertente na história.

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O longa de estreia do diretor Robney Bruno Almeida adapta livremente o premiado romance Hoje está um dia morto, do autor goiano André De Leones. Tem como grande vantagem colocar na tela Goiás, estado raramente visto no cinema nacional fora de Brasília. É o interior goiano, no caso, Silvânia, a cidade que oferece cenário a um drama que focaliza dilemas de adolescentes que moram ali, longe de perspectivas e utopias.
 
São dois casais de namorados cujas histórias se espelham, sugerindo uma dinâmica de atavismo social. O primeiro é formado por Jean (Vinicius Queiroz) e Fabiana (Nayara Tavares), divididos pela vontade de partir dela e a de não ver razão para isso dele. No mais, sua rotina é ocupada pela escola católica, onde a diretora, a irmã Corina (Carla Ribas), está entrevistando seus alunos sobre o que pretendem do futuro, no que demonstram uma assustadora apatia. A maioria deles não tem sonho algum, o que confere um clima de melancolia à história. Se nessa idade, eles não sonham, quando o farão?

Finalmente, a história de Jean e Fabiana sofre um corte dramático que, dois anos depois, continua despertando a curiosidade dentro e fora da escola - afinal, por que e para onde desapareceu Fabiana? Outro garoto, Daniel (Arthur Ávila), investiga, pretendendo escrever um livro, empreitada em que é assessorado pela namorada Alanis (Natália Dantas), não raro uma severa crítica.

O diretor mostra-se eficiente em seguir sua proposta de retratar este tipo de cidade morta, em que parece não haver outros moradores. É como se os adolescentes ocupassem todos os espaços e nas ruas desoladas espalhassem o próprio vazio. Esta atmosfera de tristeza onipresente é um pouco intoxicante, porém. Falta uma nuance mais sutil na definição das personalidades dos adolescentes, ainda que se note o empenho de todos os envolvidos na composição deste universo sufocante.

A talentosíssima Carla Ribas entrega-se com generosidade ao projeto, levantando a temperatura dramática toda vez que entra em cena. Suas conversas com os alunos trazem para o centro da história questões contemporâneas da maior importância, ainda mais em se tratando de um retrato de jovens no mundo de hoje. A honestidade do filme é, certamente, de se elogiar, apesar de uma certa falta de ritmo, especialmente na segunda parte.

Exibido nos festivais de Tiradentes e no Cine PE, o filme conquistou três prêmios no último: melhor ator (Arthur Ávila), direção de arte e atriz coadjuvante (Carla Ribas).
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