Finalmente, a história de Jean e Fabiana sofre um corte dramático que, dois anos depois, continua despertando a curiosidade dentro e fora da escola - afinal, por que e para onde desapareceu Fabiana? Outro garoto, Daniel (Arthur Ávila), investiga, pretendendo escrever um livro, empreitada em que é assessorado pela namorada Alanis (Natália Dantas), não raro uma severa crítica.
O diretor mostra-se eficiente em seguir sua proposta de retratar este tipo de cidade morta, em que parece não haver outros moradores. É como se os adolescentes ocupassem todos os espaços e nas ruas desoladas espalhassem o próprio vazio. Esta atmosfera de tristeza onipresente é um pouco intoxicante, porém. Falta uma nuance mais sutil na definição das personalidades dos adolescentes, ainda que se note o empenho de todos os envolvidos na composição deste universo sufocante.
A talentosíssima Carla Ribas entrega-se com generosidade ao projeto, levantando a temperatura dramática toda vez que entra em cena. Suas conversas com os alunos trazem para o centro da história questões contemporâneas da maior importância, ainda mais em se tratando de um retrato de jovens no mundo de hoje. A honestidade do filme é, certamente, de se elogiar, apesar de uma certa falta de ritmo, especialmente na segunda parte.
