Em 2012, um incêndio destruiu 70% da estação antártica brasileira Comandante Ferraz, provocando ainda a morte de dois oficiais. Este documentário, assinado por Júlia Martins, acompanha os trabalhos de retomada das atividades da estação, ainda em instalações provisórias, começando em outubro de 2015.
Nessa data, partem para lá os 15 integrantes da Marinha que lá deveriam permanecer por um ano. Já na primeira etapa da viagem, as dificuldades climáticas de uma das regiões mais frias do planeta se fazem sentir. O navio, que parte de Punta Arenas, no Chile, tem sua viagem atrasada pela presença de gelo. Na estação, na Ilha Rei George, parte do arquipélago Shetland do Sul, as condições climáticas serão ainda mais duras. Por lá, as temperaturas podem ultrapassar os 25 graus negativos e os ventos, os 100 km/h.
O documentário acompanha as rotinas de uma equipe de técnicos e pesquisadores, que inclui apenas duas mulheres: uma médica, originária de Manaus, e uma bióloga, que partirá em breve. Dentro das instalações provisórias, as tarefas de pesquisa e manutenção são eventualmente duras, mas a equipe mostra estar tecnicamente preparada. Mais difícil de lidar é a distância das famílias dentro da perspectiva de passar longe delas festas como Páscoa, aniversários, Dias das Mães e dos Pais e Natal.
Diante de uma situação climática que muda rapidamente, a equipe de filmagem também sofre restrições. No começo da filmagem, fica uma semana, com a perspectiva de voltar em 3 meses. O retorno ocorre em março de 2016, num avião da FAB mas, por problemas técnicos, não podem alcançar a estação, só podendo voltar 7 meses depois. De todo modo, o documentário capta o funcionamento desta estação e seus profissionais de forma atenta e humana.
Quanto ao isolamento, pode-se dizer que estão habituados. A ponto de confessarem terem se sentido um pouco invadidos até mesmo pela pequena equipe de filmagem que compartilhou uma parte de sua rotina.
A reinauguração da estação, inicialmente prevista para março de 2018, foi adiada para março de 2020.
