Como a maioria dos filmes para crianças, UglyDolls é repleto de boas intenções e traz uma mensagem edificante – mas como a maioria dos exemplares do gênero, não consegue ir além dessa boa vontade. É raro um filme semelhante conseguir combinar mensagem edificante com cinema competente. E aqui, apesar das figuras engraçadinhas, o diretor Kelly Asbury não consegue superar as limitações costumeiras.
Criadas em 2010 pelo ilustrador David Horvath e pela escritora Kim Sun-min, as bonequinhas e os bonequinhos do UglyDolls levaram quase uma década para chegar ao cinema, e talvez fosse melhor que não tivessem chegado. Elas e eles são graciosos em suas imperfeições e colorido vibrante, mas o filme é incapaz de ir além do genérico, com roteiro assinado por Alison Peck, a partir de uma história escrita por Robert Rodriguez, que, num certo momento, deveria dirigir a animação.
As criaturas conhecidas como UglyDolls vivem numa vila onde estão todos os bonecos rejeitados na linha de qualidade de uma fábrica de brinquedos. Eles e elas, no entanto, não tem noção disso, de sua origem, e de que nunca irão morar com uma criança. Por isso, Moxy acredita que todo dia é O Dia, em que será escolhida para ir para um lar.
Um dia, com outros Uglies, Moxy escala uma parede, e entra no buraco de onde vêm os novos moradores locais, e o grupo acaba indo parar na fábrica de brinquedos, de onde todos saíram, e encontra um grupo de bonecos e bonecas lindas e perfeitas. Mas lá também encontram Lou, o boneco mais perfeito de todos, que amam e temem, que tenta se livrar dos novos visitantes. Apenas uma boneca negra se solidariza com os “feiosos” porque, revelará, também tem uma imperfeição.
A ideia da trama do filme, apesar de surrada, poderia trazer algo mais empolgante, mas toda hora que a narrativa é interrompida para que algum personagem comece a cantar é desanimador. A mensagem final é aceite-se a si mesmo ou a si mesma como você é – o que não é uma mensagem ruim, mas precisava ser dada numa embalagem tão enfadonha?
