06/07/2026
Drama

A última loucura de Claire Darling

Claire Darling acorda um dia convencida de que uma voz lhe disse que morrerá até o final daquele dia. Por isso, decide colocar no quintal todos os objetos de sua casa, inclusive antiguidades valiosas, para vender por meros centavos. Sua filha, com quem não fala há anos, é avisada e volta para casa para impedir a mãe de cometer essa loucura. Na Reserva Imovision.

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Catherine Deneuve e Chiara Mastroianni, mãe e filha, se encontram na tela em A última loucura de Claire Darling, interpretando uma mãe e uma filha com problemas antigos, que não se veem há algum tempo, até que um ato insano faz com que elas se reaproximem. É gratificante ver as duas atrizes em cena, vivendo personagens interessantes, embora o filme, dirigido por Julie Bertuccelli, perca gradativamente a energia com suas divagações e idas e vindas no tempo.
 
Claire Darling (Deneuve) é uma mulher rica e um tanto excêntrica. Morando num pequeno vilarejo Verderonne, ela é uma das figuras exóticas locais, que há muito tempo se recusa a sair de casa. Até que um dia acorda com a certeza de que irá morrer ainda naquele dia e resolve vender tudo o que tem - e sua coleção de antiguidades é impressionante. Com a ajuda de funcionários de uma pedreira que foi de sua família, ela coloca praticamente tudo em seu jardim, desde móveis até bibelôs, livros e outros objetos. Tudo é muito valioso, mas ela venderá por qualquer mixaria.
 
Enquanto seus vizinhos, que praticamente nunca a viram, se aproveitam, sem realmente saber o que estão levando, apenas aproveitando a pechincha, uma antiga amiga da filha de Claire, Martine (Laure Calamy), entra em contato com Marie (Mastroianni), que volta para casa para impedir a mãe de fazer essa loucura, desfazendo-se da memória da família.
 
Bertuccelli é uma diretora delicada no trato das questões de memória, e estrutura o filme entrecortardo por uma série de flashbacks disparados por objetos que trazem a Claire suas lembranças do passado, de sua juventude (aqui a protagonista é interpretada por Alice Taglioni), do marido (Olivier Rabourdin) e de um filho que morreu ainda jovem (Simon Thomas), além da história complicada com a filha (Mona Goinard, na infância; e Colomba Giovanni, na adolescência), envolvendo o desaparecimento de um anel.
 
É claro como Deneuve e Mastroianni estão aproveitando a companhia uma da outra em cena. Seus embates são vigorosos, mas transmitem acima de tudo que há um carinho entre mãe e filha mas que, para esse ser vivido com plenitude, é preciso superar as desavenças do passado. A personagem da filha acaba sendo mais interessante do que a mãe, cuja função é fazer sandices e cara de avoada. Taglioni tem um pouco mais de sorte por interpretar Claire Darling no passado, quando a protagonista é uma personagem mais complexa e nuançada.
 
É pouco provável, porém, que houvesse outra forma de contar essa história sem o trânsito entre passado e presente, embora a estrutura labiríntica do filme nem sempre funcione a seu favor. Há elementos um tanto previsíveis, outros sem muito sentido. O roteiro é assinado pela diretora em parceria com Sophie Fillières e Mariette Désert, a partir de um romance da americana Lynda Rutledge, e, embora titubeante, dá chance às atrizes – em especial Mastroianni e Taglioni – de brilharem. 
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