02/07/2026
Filme de época Drama

Cézanne e eu

Émile Zola e Paul Cézanne se conhecem quando crianças na escola, na Provença do século 19. Ao longo dos anos, se transformarão em figuras importantes da cultura francesa. A amizade e a rivalidade os acompanham por toda a vida.

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Cézanne e eu é um longa um tanto paradoxal, que coloca em cena um dos pintores mais revolucionários da história da arte, num filme assumidamente careta. Ao contrário do recente No portal da eternidade, por exemplo, em que a forma cinematográfica se inspirava na obra de Vincent van Gogh, aqui, a diretora e roteirista Danièle Thompson não ousa, não se vale da paleta de cores do francês para compor seu filme esteticamente.
 
O resultado é um drama mais interessante pelos personagens e a dupla de atores centrais do que como cinema em si. Guillaume Gallienne é Paul Cézanne, e Guillaume Canet é o escritor Émile Zola. Os dois compartilharam uma amizade desde a infância que, com idas e vindas, os acompanhou pela vida toda. O que poderia ser o retrato de um dos maiores bromances da cultura francesa, nas mãos de Thompson torna-se um filme morno e convencional.
 
O interesse do longa, desde o começo, é mostrar as diferenças nas vidas desses dois homens. Nascido na Itália, Zola torna-se precocemente órfão de pai, por isso levando uma vida de dificuldades mas sonhando em ser escritor. Quando se torna famoso e rico, vira um burguês do tipo de que zombava quando era jovem. Cézanne, ao contrário, nasce rico, mas, como vive brigando com o pai, é discriminado por ele, vivendo à margem, lutando com inúmeras dificuldades - inclusive por conta da própria personalidade turbulenta - para dedicar-se à sua carreira.
 
O ponto de partida da narrativa é o romance A obra, que Zola publicou no final dos anos de 1880, e que trazia como protagonista um pintor claramente inspirado no amigo, num retrato não muito positivo do artista. Cézanne confronta o escritor, enquanto uma série de flashbacks elucidam a amizade da dupla desde a infância. O roteiro de Thompson enfatiza mais suas diferenças do que o que pudessem ter em comum. Entre esses dois homens está Alexandrine (Alice Pol), por quem ambos se apaixonaram, mas que acaba se casando com Zola.
 
Artisticamente falando, Cézanne é um pintor cujo estilo acabou servindo de base para o modernismo. Em outras palavras, o que ele criou floresceu num novo tipo de arte, e foi celebrado por seus pósteros, como Pablo Picasso. Enquanto isso, o realismo de Zola ficou cada vez mais relegado ao final do século XIX. É, possivelmente, o grande contraponto entre os dois artistas que, de qualquer forma, foram figuras-chave na cultura mundial - mas essas são questões que o filme não aproveita com a profundidade possível. As rivalidades pessoais entre eles e as obsessões de cada um são o que mais interessa à diretora. 
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