06/07/2026
Drama

Vision

Joan é uma francesa em busca de uma planta rara, chamada Vision, que solta seus esporos uma vez por milênio numa floresta no Japão. Enquanto espera o fenômeno, ela conhece um homem que poderá ajudar a cicatrizar suas feridas emocionais.

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Com Vision, a cineasta japonesa Naomi Kawase claramente espera que seu filme atinja um público maior do que suas obras anteriores, como A floresta dos lamentos e O segredo das águas. Aqui, além de boa parte dos diálogos em francês, há também a presença de Juliette Binoche, uma das atrizes europeias mais famosas, o que, por si só, é um diferencial. Ainda assim, a diretora permanece mais ou menos na sua zona de conforto – o que pode ser uma benção para os fãs, e só eles.
 
Kawase é, atualmente, uma das cineastas mais famosas do Japão, o que não quer dizer que seus filmes não sejam repetitivos, e que, há alguns anos, não sejam mais os mesmos. É impossível não pensar em obras mais recentes, como Esplendor, como a exploração do exotismo cultural japonês filtrado para impressionar o público ocidental. É precisamente esse mesmo problema que acomete Vision, com seu excessivo ritmo lento e belas imagens de natureza.
 
A trama não é menos exótica, envolvendo uma erva, chamada Vision, que libera seus esporos apenas uma vez a cada 997 anos, o que motiva a viagem de Jeanne (Binoche) até o Japão em busca da planta, na região montanhosa de Yoshino. Acompanhada de sua tradutora (interpretada pela atriz franco-nipônica Minami), a francesa conhece Tomo (Masatoshi Nagase), que mora na floresta e lhe oferece abrigo enquanto ela procura Vision. Há também, morando na região, Aki (Mari Natsuki), uma eremita estilosa, capaz de prever o futuro, entre outras coisas.
 
Um romance começa entre Jeanne e Tomo e poderia ser o centro do filme, pois a interação entre a dupla garante os melhores momentos. Mas Kawase está realmente interessada nos esporos da planta e nas dores que Jeanne está tentando superar e que Vision, supostamente, tem o poder transcendental de resolver. Enquanto isso, antes de desaparecer, Aki solta frases enigmáticas que não fazem muito sentido para os personagens, nem para o filme.
 
Sobra aqui a bela fotografia de Arata Dodo que destaca a natureza com seu esplendor e poder. O problema é que as imagens acompanham uma trama confusa e diálogos sem sentido – especialmente alguns envolvendo cigarras e números primos.
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