06/07/2026
Drama

Meu mundial - Para vencer não basta jogar

Morador da pequena Nogales, no Uruguai, Tito é um jovem talento do futebol local. Ele vai mal na escola e seu pai já está lhe dando um ultimato - passar de ano ou largar a bola. Um dia, chega ali um olheiro brasileiro e oferece a chance de um contrato em Montevidéu para o menino. A chance de sucesso vira de ponta-cabeça a vida da família.

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Adolescência e futebol se misturam em Meu Mundial, longa de estreia do diretor e roteirista uruguaio Carlos Andrés Morelli que ganha um desnecessário subtítulo no Brasil (Para Vencer Não Basta Jogar). 
 
O roteiro baseia-se no livro homônimo do ex-jogador Daniel Baldi, que certamente impregnou de vivências próprias a história do garoto Tito (Facundo Campelo), um talento de 13 anos com a bola nos pés, brilhando nos campos modestos de Nogales, interior do Uruguai. Não demora muito e um olheiro brasileiro, Rolando (Roney Villela), vem arrancar dali o menino, levando com  ele os pais Ruben (Néstor Guzzini) e Marisa (Valeria Perrotta), e os dois irmãos caçulas, rumo a um sonho de sucesso em Montevidéu.
 
Há uma simplicidade intrínseca no retrato destas pessoas comuns, driblando as dificuldades comuns da sobrevivência da classe trabalhadora diante de uma possibilidade de ascensão rápida e que se mostra fulminante - em todos os sentidos. Evidenciam-se, ao longo da trama, as ambições desmedidas de empresários, os esquemas não muito claros de clubes e o despreparo destes jovens e suas famílias diante de engrenagens extremamente complexas, quando não viciadas.

O filme extrai uma nota de romance no retrato do ambiente de Nogales, onde o menino deixou uma namorada, Florencia (Candelaria Renzi), filha de um técnico de futebol (César Troncoso). Fica clara uma intenção de criar um retrato nostálgico da adolescência interiorana, marcada por relações de amizade que se sobrepõem a eventuais rivalidades ao acompanhar os altos e baixos do percurso do protagonista, interpretado com honesta doçura por Facundo Campelo. A interpretação natural do elenco adolescente, aliás, é um dos pontos altos do filme, que foi exibido na competição estrangeira no Festival de Gramado 2018, obtendo o prêmio de melhor ator para Néstor Guzzini, conhecido pelas atuações em filmes como Gigante e Tanta Água

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