O filme é mais do que uma história sobre a realização de um marco da cinematografia mundial. É, antes de tudo, uma reflexão sobre os limites da arte. John Malkovich é Murnau, um diretor obcecado pela perfeição e capaz de tudo para conseguir o que planejou. Para atingir o máximo de realismo, contrata Max Schreck (Willem Dafoe), uma figura sinistra que é apresentada à equipe de filmagem como um ator excêntrico, descoberto numa companhia teatral do interior da Alemanha.
Cercada de mistérios, a equipe é conduzida por Murnau até um castelo em ruínas num remoto vilarejo da Checoslováquia, onde será filmada a história do conde Orlock, o vampiro Nosferatu - a intenção inicial do diretor era contar a história do conde Drácula, do livro de Bram Stocker, mas por não conseguir autorização da viúva do autor, o cineasta teve que fazer algumas alterações.
A atmosfera do lugar é lúgubre o suficiente para causar calafrios em todos integrantes da trupe, menos em Murnau. O diretor acredita ter o controle total da situação e mesmo quando alguns membros da equipe adoecem repentinamente se recusa a parar as filmagens. Ninguém ali imagina o que de fato está ocorrendo, tampouco do acordo existente entre Murnau e o estranho ator. Assim como Fausto, o personagem de Malkovich faz um pacto com um ser demoníaco em nome da arte.
Alternando cenas em preto e branco e em cores, o diretor E. Elias Merhige tenta captar o jogo de sombras característico do filme original. A Sombra do Vampiro não é um filme de terror clássico, mas sim um assustador retrato do artista que não vê limites para exercitar sua criatividade. Um elenco quase todo impecável - exceção feita a John Malkovich pelo excesso de maneirismo na construção de Murnau, que beira a histeria. O oposto cabe à excelente caracterização feita por Willem Dafoe de Nosferatu, que foge do óbvio e dá o tom exato ao ser repugnante que representa.
