06/07/2026
Drama

A fera na selva

João é um professor de português que espera um grande acontecimento em sua vida. Enquanto o tempo passa e isso não ocorre, ele trava diálogos com uma colega de trabalho, Maria.

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Baseado na novela homônima do americano naturalizado inglês Henry James, de 1903, A fera na selva é um filme visualmente caprichado em busca de uma narrativa mais coesa e atrativa. A trama, que segue bem de perto o texto original, tem ao centro um professor de português, João (Paulo Betti) que aguarda o grande acontecimento de sua vida, que vai mudar sua trajetória. Algo que o espreita, como uma fera na selva.
 
Sua companheira na espera é uma professora de literatura, Maria (Eliane Giardini), com quem trava longos diálogos filosóficos ao longo dos anos. É, claramente, uma estrutura mais teatral do que cinematográfica. Não por acaso, o embrião do filme está na montagem no teatro que a dupla de atores realizou nos anos de 1990.
 
Betti divide os créditos com Giardini e o diretor de fotografia Lauro Escorel, o que resulta, claramente, num filme belamente fotografado e bem atuado, mas um tanto frio em seus resultados. James é um escritor profundamente cerebral, e não é surpresa que não tenha muita sorte no cinema. Com mais de 100 adaptações de obras suas, são poucas as boas trnasposições, em especial Os inocentes, de 1961, e Tarde demais, de 1949, além do mal-compreendido Retratos de uma mulher, de 1996.
 
Betti, em seu segundo filme como diretor – o primeiro foi Cafundó, codirigido por Clovis Bueno – é ousado em sua escolha, mas o material é complicado demais para levar ao cinema. É uma história densa, penosamente falada, que precisaria de uma leveza em algum lugar para que funcionasse melhor. O filme tenta ser profundo, mas derrapa em suas boas intenções. O que se destaca é a personagem feminina, que, no original, é coadjuvante, aqui, graças à presença de Giardini, sobressai diante do protagonista. 
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