06/07/2026
Drama

Luna

Filha de mãe solteira, Luana é uma adolescente em busca de novas experiências. Ela começa uma amizade com a colega de classe Emília, que é mais rica e tem pais bastante distantes. As duas têm em comum o desejo da descoberta do mundo e de si mesmas.

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Primeiro longa solo do mineiro Cris Azzi (dos documentários Sumidouro e Dia do Galo), Luna é um retrato da adolescência feminina contemporânea a partir das personagens de Luana (Eduarda Fernandes) e Emília (Ana Clara Ligeiro). Roteirizado também por Azzi, a partir de um trabalho de construção dramática com muita participação das jovens atrizes – ambas estreantes – e também do veterano diretor de fotografia Luís Abramo, o filme mostra uma organicidade e energia extraordinários. Isto decorre de um processo de criação em que as atrizes conheciam as linhas gerais do roteiro, mas não o tinham à mão, como uma cartilha para uso de maneira rígida, e muitos ensaios. Muitas cenas, aliás, foram tiradas dos ensaios.
 
Este método coletivo permitiu que fossem abandonados ao longo do caminho certas palavras, tons e situações que não correspondiam ao sentimento das atrizes, trazendo uma organicidade maior.
 
Mesmo girando muito em torno do cotidiano e do corpo das duas garotas, na escola, na rua, em suas casas e nos ambientes que frequentam, o filme incorpora também alguns familiares – a mãe de Luana é interpretada por Lira Ribas, protagonista do premiado curta Estado Itinerante. A própria escola onde estudam é um contexto ao mesmo tempo social e político já que se debate ali, no começo da história, a legitimidade do impeachment de Dilma Rousseff – que ocorreu durante as filmagens.
 
O fato é que Luna não precisa de bula. As personagens ocupam os cenários com seu corpo, seu olhar, suas experiências. E é por imagens que se constrói a existência delas, suas relações com colegas e com famílias um tanto distantes – por motivos diferentes -, sua vida na escola e o relacionamento entre as duas mesmo, que é o mais próximo e íntimo.
 
A sensação que se depreende do filme, portanto, é de um existir diante da câmera, natural, efêmero como a adolescência, que se transforma diante de nossos olhos. O próprio diretor disse, no Festival de Brasília 2018, em que ocorreu sua première, que vê o filme como “um rito de passagem para Luana”, mas é certo que sua obra encerra inúmeras leituras. O próprio tema do cyber bullying que, num determinado momento, ocorre, não se torna o único centro da história. Azzi ressalta que “não quis que o filme se tornasse refém disto”.
 

Neste sentido e também no encaminhamento que se dá à questão, Luna é um contraponto a Ferrugem, de Aly Muritiba. O final, especialmente. Libertário e catártico, este final, aliás, foi celebrado entusiasmadamente pela plateia de Brasília, como uma apoteose.No Festival do Rio 2018, Eduarda Fernandes recebeu uma menção honrosa por sua interpretação. 

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