A atriz italiana Valeria Golino volta à direção com Euforia, um filme que disseca a relação entre dois irmãos, Matteo (Riccardo Scamarcio) e Ettore (Valerio Mastandrea). O roteiro, escrito por ela, ao lado de Francesca Marciano e Valia Santella, ultrapassa os clichês habituais para permitir aos dois atores ir além no retrato de duas personalidades em tudo opostas, mas vinculados de maneira indelével pelo afeto numa situação-limite.
Os dois vivem distantes, com rotinas bem diferentes. Matteo é um publicitário bem-sucedido, rico, famoso e gay, morando num apartamento esplêndido em Roma. Sua vida, fora do trabalho, parece uma festa permanente, em busca de diversão e parceiros. Personalidade esfuziante e gregária, perto dele nada pode parar quieto um minuto.
Já Ettore é um professor introvertido, divorciado, com finanças bem modestas e que aprecia a literatura e a natureza. Sua ex-mulher, Michela (Isabella Ferrari), com quem ele tem um filho pré-adolescente, não supera a separação. Mas Ettore é um homem esquivo e solitário, que parece manter um muro ao seu redor onde ninguém penetra de verdade.
A doença imprevista de Ettore coloca os dois irmãos dividindo o mesmo apartamento vibrante de Matteo, onde o primeiro se hospeda enquanto busca diagnóstico e remédio. Matteo abre-lhe não só as portas de sua casa como o ajuda a pagar seu tratamento. As fricções naturais entre estes dois mundos não se fazem esperar e são a matéria-filme do filme de Valeria Golino que, por trás das câmeras, sabe extrair o melhor de seus intérpretes, mantendo suas emoções a fogo lento e na medida.
Personagens externos ao círculo dos irmãos, como seus amigos e uma nova namorada de Ettore, Elena (Jasmine Trinca), calibram as situações produzidas para que o filme se estabeleça como uma crônica contemporânea, humanista. Não sendo idealizados e sim bastante humanos, os dois irmãos protagonizam cenas de conflito e reconciliação, sem recair em emocionalismo excessivo. Todo o elenco, aliás, é afinado como uma boa orquestra.
