06/07/2026
Drama

Liberté

Próximo do final do século XVIII, um grupo de nobres expulsos da corte da França se exilam numa região entre Potsdam e Berlim. Durante uma noite, no meio da floresta, se permitem viver todos os fetiches e depravações que conseguem imaginar.

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Liberté poderia muito bem se chamar Longa jornada noite adentro, ou melhor, Longuíssima e infinita jornada tediosa e pretenciosa noite adentro (com 132 minutos de duração). Por quase duas horas, o catalão Albert Serra filma um bando de nobres em atividades sexuais numa floresta escura ao longo de uma noite. Nesse exercício de sub-Sade, pouco se salva – quando muito, a fotografia desperdiçada de Artur Tort.
 
A questão que Serra, também autor do roteiro, quer levantar é dos exageros e pemissividade das elites – aqui, na figura de aristocratas –, resultando numa espécie de filme de arte para site pornográfico que causa sono. O longa começa com um monólogo – de vários, incontáveis minutos – do Duque Wand (Baptiste Pinteaux), sobre a morte e o esquartejamento de um homem. É uma descrição vinda do livro de memórias de Casanova, já citada por Foucalult em Vigiar e Punir – outra expressão que poderia servir de título a Liberté.
 
O catálogo de perversidades e perversões aqui não é vasto, nem propriamente criativo. Fora a cópula óbvia, há alguns espancamentos leves, e posições aparentemente desconfortáveis. Há também o típico ódio contra as mulheres – praticamente uma constante no gênero – , por quem Serra e seu filme têm pouca simpatia. Uma delas é açoitada com um graveto por minutos a fio, a cada segundo gritando: “Mais forte! Mais forte!”.
 
Não se trata de moralismo barato, mas é de se esperar que todo o sexo e sadomasoquismo tenham algum significado, levem a algum lugar. Basta lembrar Saló, de Pasolini, que, por mais difícil que seja de assistir (muita gente nem chega à cena do banquete), tem algo a dizer. Aqui, o mero exercício estético é a justificativa vã. Certamente haverá quem defenda, dizendo que o longa explicita o maquiavelismo da nobreza, ou algo parecido – mas o contraponto estaria, então, em As Ligações Perigosas (seja o romance original de Choderlos de Laclos, ou sua melhor adaptação, assinada por Stephen Frears), que sem nada de explícito consegue ser mais erótico do que qualquer frontal de Liberté – e, obviamente, escancarando o que há de mais perverso nas elites.
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