Escrito e dirigido por Alex Levy-Heller, Jovens Polacas abre com uma bela imagem: uma mulher de costas para a câmera, deitada num divã, seminua com um pano vermelho que cobre parte de seu corpo. A fotografia de Miguel Vassy trabalha com o lusco-fusco, tons escuros destacando vermelhos. É um trabalho de luz e sombras que funciona de maneira exemplar. A narrativa do longa, no entanto, não mantém a mesma precisão. Transitando entre passado e presente, o filme, inspirado no livro homônimo de Esther Largman, resgata a história de jovens judias ludibriadas, que vinham para o Brasil no começo do século XX, em busca de uma vida melhor, e acabam sendo aprisionadas em prostíbulos.
Esses segmentos do filme, situados no passado, resgatando a história dessas mulheres, tem como protagonista Sarah (Lorena Castanheira) presa a um bordel num Rio de Janeiro, de onde tenta ir embora para voltar à Europa a todo custo. Mas, entre outras complicações, ela tem uma filha pequena, Mira, o que dificulta sua fuga. Algumas décadas depois, essa criança, agora uma mulher madura, interpretada por Jacqueline Laurence, é entrevistada por Ricardo (Emilio Orciollo Netto), um doutorando escrevendo uma tese sobre as jovens polacas.
As cenas no presente não conseguem a mesma ressonância do que aquelas no passado. A dinâmica entre apenas dois personagens limita o filme a diálogos excessivamente didáticos, num tom pouco naturalista. As histórias que Mira conta ao entrevistador servem, muitas vezes, como uma forma de tapar lacunas e explicar fatos que não são mostrados. O problema nem é tanto o excesso de recurso a essa saída, mas o tom como as histórias são contadas pela personagem, que soam, na maior parte das vezes, como alguém lendo um texto ao invés de falando com espontaneidade.
Levy-Heller é caprichoso na direção das cenas, na composição dos quadros, mas a narrativa nem sempre é tão lapidada quanto as imagens. Alguns momentos não fluem, levando o filme caminhar de maneira pouco orgânica. De qualquer forma, é o resgate de um episódio importante de nossa história que é pouco lembrado.
