06/07/2026
Drama

Um grito de liberdade

Ayse é uma mãe extremada de sua única filha, Nazli. Ela não mediu esforços para que a moça estudasse e tivesse um futuro diferente do seu. Nazli forma-se professora e vai morar em Istambul. Sente vergonha dos pais rudes, especialmente da mãe. Isso vira um problema maior quando ela pensa em casar-se com Mert, herdeiro de uma família rica.

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A condição feminina está no centro deste melodrama turco, em que a mão pesada do diretor Mustafa Kotan compromete muito de uma história que poderia render mais. A protagonista é a camponesa Ayse (Sumru Yavrucuk), mãe extremada de uma filha única, Nazli (Özge Gürel). Obcecada por proporcionar à filha a oportunidade de estudar, Ayse não mede sacrifícios, enfrentando até a eventual violência física do marido, um rude motorista de caminhão.
 
Ayse é uma personagem que conhecemos bem: a mulher simples que não teve outra oportunidade na vida senão o casamento, ainda que ruim, e renunciou a todo e qualquer projeto pessoal em prol do futuro da filha. Sumru Yavrucuk é, evidentemente, uma atriz experiente e talentosa, mas conduzida a uma interpretação com muitos exageros. Maior sutileza cairia bem, mas não é isso o que o filme  procura.
 
O foco central está no preconceito que a filha, finalmente formada professora e vivendo em Istambul, tem contra os pais, especialmente esta mãe simplória, capaz de aparecer de repente para visitá-la trazendo enormes sacolas de comida. Esta vergonha de Nazli da própria família chega ao auge quando ela conhece Mert, um jovem de família rica com quem deseja casar-se.
 
Todo o andamento deste roteiro, de autoria do trio Evren Erdogan, Bener Karaçor e Ayse Balibey Tanil, é assumidamente no rumo de um novelão dedicado a extrair tantas lágrimas quanto possível - reforçado pelo uso insistente da trilha sonora. As tragédias se acumulam no destino desta mãe e filha, cujas trajetórias são delineadas com nuances um tanto tradicionais e previsíveis.

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