Drama biográfico mergulha na vida do lutador Lenny McLean (Josh Helman), um menino brutalizado pelo padrasto que cresceu para ser um eficiente brigão nas ruas do leste de Londres e até no circuito extra-oficial de boxe, ganhando fama nos anos 1970.
O diretor Ron Scalpello dispensa sutilezas para retratar esse ambiente suburbano em que o porte avantajado e os punhos implacáveis de Lenny garantiam seu sustento, com muito sangue, suor e algumas lágrimas. O filme procura sintonizar as contradições deste homem grande, que não raro perdia o controle de sua força quando lutava, e de coração sensível, de um menino fortemente traumatizado que não consegue superar as marcas do tratamento brutal do padrasto, Jim Irwin (interpretado por Martin Askew, sobrinho do Lenny McLean real).
Apostando num realismo cru e impiedoso, o filme proporciona não poucos momentos de uma brutalidade visual extraordinária e que podem não agradar a todos os públicos. Mas é disto mesmo que o filme trata, desta engrenagem brutal que massacra diariamente estes lutadores e suas famílias. Sem dúvida, lhe faria bem ter mais nuances, porém, no próprio tratamento dos personagens e seu ambiente, retratados de um modo um pouco unilateral.
Um foco mais intimista é representado pelo relacionamento entre Lenny e sua mulher, Valerie (Chanel Cresswell), talvez o segmento do filme que transmita maior verdade - por ter mais equilíbrio. Helman compõe Lenny com entrega, mas não deixa de injetar nesta interpretação um componente um tanto caricatural, forçando algumas caretas e modos de falar um pouco além do necessário. Em alguns momentos, ele parece o próprio Hulk no surto.
Dentre os vários coadjuvantes que integram o bom elenco, destaca-se o veterano John Hurt, no papel de um velho bêbado sábio, Leslie Salmon. Foi um dos últimos papeis do ator, que morreu em janeiro de 2017, aos 77 anos.
