A fraternidade é vermelha, de 1994, acabou sendo também o último longa do diretor, que até sua morte, em 1996, dirigiu apenas mais alguns curtas. É a coroação de uma carreira repleta de grandes obras, sempre interessada nos laços (alguns invisíveis) que nos unem e nas adversidades que nos separam. Este é um tema bem claro nos dois primeiros longas e se sedimenta aqui, na medida em que a trajetória das três protagonistas – interpretadas por Juliette Binoche, Julie Delpy e Irène Jacob – se unem, dando um grand finale à trilogia.
Auguste (Jean-Pierre Lorit), um jovem estudante de direito, está apaixonado por Karin (Frederique Feder), que tem uma agência de previsão do tempo personalizada, que fornece o clima sob medida para seus clientes. Ele é vizinho de uma jovem modelo, Valentine (Jacob), com quem já cruzou o caminho diversas vezes, mas eles nunca notaram um ao outro. Quando ela atropela um cachorro, leva o animal ao endereço que está na coleira e conhece um juiz aposentado, Joseph Kern (Jean-Louis Trintignant), cujo passatempo é ouvir conversas de estranhos por telefone. Se, num primeiro momento, a jovem fica chocada com isso, acaba também não resistindo à curiosidade.
Surge uma amizade entre os dois, em momentos distintos da vida – ele já aposentado, ela uma jovem modelo e estudante. Não existe qualquer insinuação amorosa entre os dois personagens, o que há é fraternidade. E a pergunta que surge é como o acaso controla a vida deles dois, de Auguste e Karin. Mas não apenas deles, também de outras figuras dos filmes anteriores.
Novamente, a cor do título está em proeminência e a fotografia de Piotr Sobocinski destaca tudo o que pode haver de vermelho em cena. Segundo entrevistas dele, foi a imagem final do longa que estabeleceu a paleta de cores de toda a trilogia.
