06/07/2026
Histórico Drama

Retratos de uma Guerra

Aos 16 anos, morando na Lituânia, Lina vê sua família ser presa pelo regime de Stalin e deportada para a Sibéria. Lá as únicas esperanças da garota vêm de sua arte.

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Numa época que a palavra “stalinismo” anda em alta no Brasil, Retratos de uma guerra poderia colocar alguma lenha na fogueira da discussão, não fosse um filme meio insosso como é. Baseado no romances Cinzas na Neve, de Ruta Sepetys, o primeiro longa ficcional de Marius A. Markevicius explora um terreno um tanto negligenciado pelo cinema, sempre mais interessado nos horrores cometidos por Hitler do que por Stalin no Leste Europeu.
 
Os personagens principais são uma família lituana, que, durante a Segunda Guerra, é mandada para a Sibéria, junto com os moradores da sua cidade. A protagonista é a jovem Lina (Bel Powley) que aspira a ser escritora e perde sua inocência diante dos horrores que vê e enfrenta no cativeiro. Lá, suas habilidades como escritora e desenhista a ajudam a sobreviver. Sua mãe (Lisa Loven Kongsli) tenta resistir às investidas de um soldado ucraniano.
 
Não ajuda muito o tom melodramático do diretor para contar as atrocidades da guerra. Frases de efeito – “Eles precisam saber o que está acontecendo aqui”- aparecem de vez em quando. Retratos de uma guerra que não ousa sair da zona de conforto que quer horrorizar e também alertar seu público – não consegue nem num, nem o outro, porque tudo o que está lá já se viu antes, e melhor.
 
Há um potencial épico no filme, que o diretor não consegue aproveitar – talvez por inexperiência – e o roteiro frágil de Ben York Jones não é capaz também de se aprofundar em questões mais complexas, como as políticas. O filme não se dá ao trabalho de apresentar o mínimo de pano de fundo sobre as divisões políticas da União Soviética que faziam a elite lituana incomodar tanto Stalin. Fora isso, há um certo gosto na exploração da miséria humana num campo de concentração soviético, com mais de uma cena com gente levando tiro na cabeça, por exemplo. É o horror da guerra que Markevicius explora sem muito pudor, e, pior, sem qualquer redenção.
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