Na Tchecoslováquia dos anos 1930, Hana e Liesel são amigas inseparáveis. Liesel se casa com o industrial Viktor e ganha uma bela mansão, projetada por um famoso arquiteto. Ao longo dos anos, a casa enfrenta as bruscas transformações ocorridas no país, a partir da II Guerra, que abalarão profundamente as vidas das amigas.
- Por Neusa Barbosa
- 01/12/2020
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O drama de época tcheco, assinado pelo diretor Julius Sevcík, tem produção requintada e atravessa mais de 30 anos da história da Tchecoslováquia, acompanhando as desventuras de duas amigas, Liesel (Hanna Alström) e Hana (Carice van Houten, a Melisandre de Game of Thrones).
No início dos anos 1930, Liesel se casa com o rico industrial Victor Landauer (Claes Bang, de The Square - A Arte da Discórdia). Suas posses permitem que a casa do casal seja fruto de um projeto ambicioso e ousado, além de caríssimo, idealizado pelo arquiteto von Abt (Karel Roden).
A belíssima mansão é o epicentro das mudanças atravessadas pelas vidas não só da família, como também de Hana e do marido, Oskar (Martin Hoffman), que é judeu, assim como os Landauer.
O “quarto de vidro”, que na verdade é um salão, onde as amigas trocam confidências, torna-se o símbolo das mudanças que sacodem as vidas de todos. As mesmas amplas janelas de vidro de onde Hana e Liesel descortinam não só a bela paisagem como um futuro que parece radioso também se debruçam sobre a instabilidade e os horrores que se abatem sobre os judeus europeus à medida que avançam as tropas nazistas.
A incorporação da Tchecoslováquia pelo III Reich, transformando-a no protetorado da Boêmia e Morávia, encontra as duas amigas separadas. Os Landauer conseguiram fugir do país, abandonando sua bela mansão à sanha dos novos ocupantes, que a transformam em base para o desenvolvimento de projetos de seus aviões de guerra, comandada pelo engenheiro Stahl (Roland Moller). Hana, que ficou para trás, terá de voltar, muitas vezes, ao lugar onde fora tão feliz, agora em condições humilhantes, negociando a própria sobrevivência e do marido, que foi privado do controle de sua empresa.
Ao longo dos anos, Hana escreve incessantemente a Liesel, sem receber resposta, nem saber o que acontece a sua correspondência. Este relato alimenta o filme de um fio condutor, que mantém alta a temperatura emocional do drama, até que as tensões da II Guerra se resolvam e se descubra o que aconteceu com as cartas e com Liesel.
Uma outra etapa na existência da casa se dá com a instalação do regime comunista na Tchecoslováquia, quando o local será administrado pelo antigo jardineiro, Lanik (Karel Dobry), que organiza festas para os altos membros do Estado e seus informantes.
Embora a produção seja extremamente bem-cuidada, do ponto de vista de cenários, fotografia, figurinos e música, a narrativa perde um pouco a força no momento em que se resolve a pendência do relacionamento entre Liesel e Hana, por trás do qual há uma promessa de paixão que o filme se mostra um tanto tímido para assumir.
