Fale com as abelhas parte de alguns elementos já usados à exaustão, como um vilarejo isolado e preconceituoso e metáforas – em especial as abelhas do título. Mas consegue usar tudo isso em seu favor, e, embora não reinvente nada, o longa é capaz de ser sincero em suas intenções e bem atuado – especialmente pelas protagonistas, interpretadas por Anna Paquin e Holliday Grainger.
Dirigido por Annabel Jankel, o longa parte de um romance da inglesa Fiona Shaw (homônima da atriz) para contar uma história de amor entre duas jovens numa pequena cidade no interior da Escócia nos anos de 1950. Tudo é narrado do ponto de vista do filho de uma delas, o pequeno Charlie Weekes (Gregor Selkirk), que observa sem muito compreender. As abelhas são suas confidentes, pois são capazes de guardar segredo.
Numa pequena cidade, cuja vida gira em torno de uma tecelagem, não muito depois da Segunda Guerra, vive Lydia Weekes (Grainger), que veio da Inglaterra depois de se casar com Robert (Emun Elliott). Agora tem um filho de uns 11 anos e trabalha na fábrica. Infeliz no casamento, e hostilizada por ser estrangeira, ela não tem amigos e acaba abandonada pelo marido.
A dra. Jean Markham (Paquin) volta à cidade para trabalhar como clínica geral, alguns anos depois de ter saído de lá, quando adolescente, pois foi pega beijando outra garota. Ela mora numa casa grande e antiga, que foi do pai, e cria abelhas em seu quintal.
O roteiro, assinado pelas irmãs Henrietta e Jessica Ashworth (que têm no currículo um episódio de Killing Eve), não custa muito para produzir um encontro entre Lydia e Jean, e, menos tempo ainda, para que elas vivam um romance secreto. Não é muito difícil imaginar o que acontecerá, e como o preconceito local – em especial do ex-marido de Lydia – irá determinar os caminhos do romance. Mas tudo isso é contado com tanta honestidade e ótimas atuações – em especial de Paquin – que esses deslizes são perdoados.
