O indiano A Jornada de Jhalki é o clássico exemplo de filme repleto de boas intenções e que confia apenas nisso para justificar-se. É uma história de crianças pobres, que se perdem e enfrentam todo tipo de sofrimento e exploração – ou seja, um tema que Charles Dickens já explorava (com melhores resultados) no século XIX, enfim, nada de novo, mas esse nem é o problema aqui.
O filme dirigido por Brahmanand S. Singh, um documentarista e escritor que estreia na ficção, num longa que segue o modelo de produção do seu país – ou seja, com músicas aleatórias. A inspiração veio, conforme os letreiros iniciais, do trabalho de Kailash Satyarthi, Nobel da Paz indiano que desde a década de 1990 cuida de crianças pobres. A protagonista é Jhalki (Aarti Jha), uma menina de 9 anos, em situação de extrema pobreza, cujos pais são obrigados a entregar a outra pessoa o filho menor, Babu (Goraksha Sakpal), de 5 anos. O menino acaba num trabalho forçado, onde é praticamente um escravo. A menina, então, resolve ir atrás do irmão para o salvar.
O tema é tanto comovente, como socialmente importante, mas Singh tem dificuldade em lidar com a questão valendo-se de todos os artifícios para apenas arrancar lágrimas. O exagero e a pouca verossimilhança em vários momentos apenas enfraquecem um material, que, por si próprio, seria forte. Os personagens não têm muita densidade psicológica, e nem sempre os atores e atrizes desempenham bem. O par de crianças, Jha e Sakpal, é esforçado, e, provavelmente, a melhor coisa do filme. Há ainda a trilha sonora que em nada acrescenta, e uma tentativa de humor, de vez em quando, que soa, no mínimo, deslocada.
