Maud Crayon é uma arquiteta cheia de problemas na vida: não consegue se livrar do ex-marido, os filhos só dão trabalho e o chefe a engana. Quando, acidentalmente, ganha um concurso para renovar a região da Catedral de Notre Dame, tudo fica ainda mais complicado para ela, especialmente quando um jornalista, que é uma antiga paixão dela, irá cobrir seu trabalho.
- Por Alysson Oliveira
- 08/02/2021
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Filmado antes do incêndio que atingiu a centenária catedral, em abril de 2019, a comédia Notre Dame eventualmente perde o timing, por mais que seja uma declaração de amor à igreja e a Paris. A protagonista é uma arquiteta que ganha um concurso promovido pela prefeitura para renovar a esplanada diante da igreja.
Valérie Donzelli, dirige, assina o roteiro (com Benjamin Charbit) e interpreta a protagonista, Maud Crayon, uma mulher confusa e explorada, seja pelo ex-marido folgado, Martial (Thomas Scimeca), com quem tem casos esporádicos, ou pelo chefe (Samir Guesmi), que só se interessa em assinar um contrato com ela quando a arquiteta ganha o concurso, e assim ele pode ficar com metade de sua comissão. A diretora busca colocar em cena as atribulações de uma mulher no mundo atual, onde tem de se dividir entre mãe, esposa, profissiona,l sem nunca receber as devidas recompensas ou o reconhecimento.
Notre Dame é uma fábula com acontecimento fantásticos, como quando a maquete que Maud criou para um outro projeto voa pelos ares, movida pelo vento, até o gabinete da prefeita (Isabelle Candelier), sem que a arquiteta saiba. Por isso, é uma surpresa para ela mesma quando acaba escolhida. É nesse momento, aliás, que volta à sua vida seu antigo namorado, anterior ao marido, Bacchus Renard (Pierre Deladonchamps), um jornalista que irá acompanhar todo o processo de renovação, o qual, aliás, causa polêmica por sua suposta aparência fálica.
É uma comédia francamente absurdista, sem muito compromisso com o realismo, a ponto de ficar cansativo, eventualmente exagerado. A proposta de Donzelli não é ruim: as mulheres devem se libertar das amarras sociais e viver suas vidas com mais liberdade e leveza. Mas falar disso com personagens caricatos não parece ser a melhor opção. Num lado positivo, no entanto, provavelmente, esse é o ultimo filme a contar com imagens de Notre Dame antes do incêndio.
