05/07/2026
Suspense Drama

Holiday

A jovem dinamarquesa Sascha viaja para a Riviera Turca para se encontrar com seu namorado, um homem bem mais velho que ela, com quem tem um relacionamento tóxico. No cenário paradisíaco, a tensão se eleva.

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A estreia da dinamarquesa Isabella Eklöf na direção de longas mostra uma cineasta confiante, cheia de ideias e estilo, que não abre mão de seu apuro formal. Mas formalismo rigoroso nem sempre é a saída (ou a causa) para a existência de um filme. Holiday é um filme duro que se recusa  a fazer concessões, mas deveria ter feito algumas para que o resultado não fosse tão frio – apesar do cenário ensolarado.
 
A protagonista é Sascha (Victoria Carmen Sonne), uma espécie de jovem acompanhante que viaja à paradisíaca costa da Turquia para encontrar de seu namorado/cliente mafioso, Michael (Lai Yde). A jovem não parece muito esperta – ou talvez seja exatamente o contrário, ela é esperta o suficiente para saber que precisa se fazer de tonta para sobreviver no negócio. Ou a moça é apenas uma vítima da síndrome de Escolmo, e se deixa abusar, primeiro, emocional, e, depois, fisicamente pelo homem.
 
O que faz Sascha continuar ali? É a possibilidade de levar uma vida de rica, mesmo com o alto preço que paga? Ou ela não tem outra saída a não ser submeter-se a Michael? Mal sabemos quem é essa jovem, já que não se diz nada sobre sua vida pregressa. Mas vemos que ela se entrega facilmente a qualquer um que sorria para ela. Mas, mais do que qualquer coisa, há uma sinceridade nessa entrega que, muitas vezes, parece destituída de interesse, ou de sagacidade. Como quando faz amizade com um holandês, Tomas (Thijs Römer), na fila da sorveteria. É para provocar Michael ou apenas para realmente ser simpática com o desconhecido?
 
Michael tem uma verdadeira entourage de capangas e suas mulheres numa vila à beira-mar que alugou – foi cara, diz ele, mas espera que valha a pena. Ele é inseguro e tóxico, e, claramente, o filme caminha para uma cena de abuso sexual violenta, forte e questionável. O quão voyeur é o filme? O quão necessária é a cena, da maneira explícita com que se mostra? Eklöf é uma diretora com ideias muito claras do que pretende transmitir, por isso não há nada de gratuito ali.
 
O filme é uma espécie de despertar de Sascha, que ganhará uma consciência – talvez deturpada, mas que ainda assim possa se chamar de consciência. Se há uma grande estrela em Holiday é a atriz dinamarquesa Victoria Carmen Sonne. Sua composição é tão precisa que chega a doer vê-la na tela. A personagem é um enigma que a intérprete constrói com muita segurança e sem concessões. Talvez não houvesse outra forma de contar essa história se não da maneira gélida como Eklöf a faz. Por isso, certamente a diretora é um nome a se prestar atenção.
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