05/07/2026
Drama

Não me toque

Uma cineasta e sua personagem entram numa jornada de descoberta sobre o corpo e os prazeres sexuais. Combinando ficção e documentário, o longa acompanha Laura, uma mulher com problemas para sentir prazer, que busca pessoas que lhe contem sobre seus desejos e prazeres.

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Ganhador do prêmio principal no Festival de Berlim de 2018 – batendo filmes como Em Trânsito, Dovlatov, A Estação do Diabo, e Museu –, o romeno Não me toque conquistou defensores e detratores que expressam sua opinião praticamente com o mesmo entusiasmo. O que talvez seja um demais para um filme que pretende incomodar e o faz, não raro pelos motivos errados.
 
Primeiro longa da jovem diretora Adina Pintilie, que também aparece em cena, este é um filme sobre a exploração do corpo e o desejo – com ênfase na palavra exploração, ao ganhar contornos que parecem abusivos, mas talvez não sejam, pois houve consentimento. Combinando algo de documentário com um quê de ficção, Não me toque é uma investigação sobre a sexualidade humana em formas variadas. É um trabalho repleto de boa vontade, e não parece que esses momentos sejam pensados da maneira ostensiva como estão na tela.
 
O fio da narrativa é guiado por Laura (Laura Benson), uma inglesa incapaz de sentir prazer. Ela contrata um garoto de programa, e o observa tomando banho, e, depois, observa-o se masturbar. Ela apenas olha, sem qualquer desejo, sem qualquer ação. No momento seguinte, ela está em companhia de uma terapeuta transexual (Hanna Hoffman), que usa música clássica e o próprio corpo nas sessões com seus pacientes.
 
Mas, ao centro do filme, também está  Christian Bayerlein, que tem uma severa distrofia muscular, cuja presença em cena questiona preconceitos em relação ao corpo. É louvável o que Pintilie faz dando a esse homem espaço para que se expresse com tanta naturalidade e sem pudor sobre seu corpo, sua sexualidade e o desejo. Mas o longa parece encantado demais consigo mesmo ao fazer isso.
 
Tudo culmina numa orgia discreta, num clube sadomasoquista, numa subtrama envolvendo Tómas (Tómas Lemarquis), um instrutor de ioga, que trabalha com Christian e outras pessoas, e se torna amigo de Laura. A jornada psicossexual da protagonista não faz tanto sentido, é filmada com um distanciamento frio. Assim, essa última incursão parace um pouco ridícula e soa, no mínimo, descolada da realidade, e, no máximo, explorativa – como tudo no filme.
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