09/07/2026
Docudrama

Antena da Raça

Resgatando imagens do programa de TV "Abertura" (1979), em que o cineasta Glauber Rocha tomava o pulso de um Brasil em processo de distensão política, os diretores Paloma Rocha e Luis Abramo confrontam estas imagens com as de filmes do diretor e das ruas de um Brasil conturbado nas eleições de 2018.

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Paloma Rocha mergulha mais uma vez nos arquivos da obra do pai, Glauber Rocha (1939-1981), desta vez, associada a Luis Abramo, debruçando-se sobre as imagens dos quadros por ele realizados no programa Abertura, entre 1979 e 1980, na extinta TV Tupi. O estilo frenético do diretor de Terra em Transe ocupa a tela em conversas com personagens como “Brizola”, figura popular do bairro de Botafogo, o produtor Luiz Carlos Barreto, o cantor Caetano Veloso, o escritor Luiz Carlos Maciel, o psicanalista Eduardo Mascarenhas e o político baiano Antônio Carlos Magalhães, transgredindo o formato comportado da televisão a partir de sua própria figura, desalinhada e elétrica.
 
Estruturado na montagem de Alexandre Gwaz a partir de afinidades múltiplas, o filme alinha estes trechos antigos, de um tempo em que o Brasil aderia à abertura política e à Anistia, com cenas de diversos filmes de Gláuber, manifestações recentes pró-bolsonaristas e de ativistas do MST, e conversas novas - com Caetano, Barretão, o diretor teatral José Celso Martinez Corrêa, o McMingau, dona Tuta, a vovó do funk, entre outras. 
 
Fragmentado em sua essência, Antena da Raça interroga a perplexidade angustiada que veio tomando conta do País nos últimos anos, lançando um fio para esse passado em que o mesmo Brasil se abria para a redemocratização, arrastando o peso do passado colonial, da ditadura mal resolvida, das inúmeras desigualdades e violências trazidas de roldão desde sempre - das quais é um doloroso lembrete a luta de mães, como Gláucia Santos e Bruna Silva, algumas das muitas que lutam pela punição dos agentes do Estado que mataram seus filhos. 
 
Não é um filme de chegada, de conclusões, e sim de partida e nisso tem seu valor, além de nos lembrar da pujança da figura de Gláuber, um manancial de tantas interrogações e procuras que ali vivia, sem saber, seus últimos anos. 

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