A cineasta francesa Justine Triet construiu em Sybil, que concorreu à Palma de Ouro em Cannes 2019, a caótica trajetória da personagem-título (Virginie Efira), uma terapeuta que decide voltar à literatura, que abandonou no passado. Passando adiante a maioria de seus pacientes, ela, no entanto, aceita tratar de uma jovem atriz, Margot (Adèle Exarchopoulos, de Azul é a Cor Mais Quente).
No meio de uma filmagem, Margot engravidou de Igor (Gaspar Uliel), o protagonista, que por sua vez é casado com Mika (Sandra Hüller, protagonista de Toni Erdmann), a diretora do filme. As confusões amorosas da moça evocam na analista as memórias de suas próprias desventuras românticas de um passado não muito distante. Essa identificação vai mais fundo à medida que Sybil inspira-se na moça para escrever seu próprio romance, diluindo-se perigosamente as fronteiras entre essas vidas reais e imaginárias.
Uma passagem do filme dentro do filme ambienta-se na ilha italiana de Stromboli, evocando, por sua vez, referências ao filme homônimo de Roberto Rossellini, que sofreu os ecos do envolvimento entre o diretor e a atriz sueca Ingrid Bergman, quando os dois ainda eram casados.
De toda maneira, este exercício imaginativo de Justine Trier, que começa interessante e tem em Virginie Efira uma atriz empenhada, resulta um pouco inócuo – parece que perdeu o rumo e não encontrou a hora certa de acabar.
