Estreante em longas de ficção, Leandro Lara (também conhecido como Leandro HBL) traz um filme de narrativas múltiplas que se entrecruzam e transformam umas às outras em Rodantes – um filme cujo título indica a base de tudo: o movimento. Um trio de personagens em busca de melhores oportunidades, e uma vida mais digna. Muito da força aqui vem das atuações de Caroline Abras, Félix Smith e Jonathan Well nos papeis centrais.
Tatiane (Abras) é uma jovem com traumas do passado, que se perpetuam em sua vida. Cada vez mais fechada em si, sem nunca se fixar direito em um lugar, ela parece procurar uma linguagem que dê conta de suas dores. Odair (Well) também tem suas mágoas e desconhece uma maneira de as expressar. Por fim, Henry (Smith) é um imigrante haitiano que, depois da morte da mulher, tenta criar os filhos de maneira digna.
Rodantes é, entre outras coisas, um filme sobre linguagem, sobre o poder libertador e opressivo desta. Cada pessoa dessa trinca está em busca de uma maneira nova de verbalizar suas dores do passado e do presente. Odair, por exemplo, está num momento de descoberta e inseguranças. Sem experiência na vida, é facilmente manipulável e vulnerável.
O roteiro, assinado por Lucas C. Barros, dedica mais tempo à personagem Tatiane, que de cidade em cidade tenta esquecer sua própria existência e seus traumas. Colocando-a ao centro, o filme, às vezes, parece se esquecer dos outros dois personagens. Sua história, realmente, talvez seja a mais forte e marcante, e isso causa um certo desequilíbrio, mas nada que diminua o filme no geral.
Para um filme sobre a busca de maneiras de verbalizar, Rodantes é composto pelos silêncios, o que acaba sendo bastante sintomático. Pouco se fala, e isso é revelador do estado emocional de cada um do trio. A fotografia, assinada por Adolpho Veloso, valoriza os tons e texturas, assim como um jogo de luz e sombra, traduzindo em imagens o lusco-fusco em que os personagens vivem.
