Filmes com animais– especialmente cães – têm muita chance de exagerar no fator fofura e se transformar em algo com excesso de sacarose. O chinês Eternos Companheiros não hesita nem por um segundo em carregar nesses elementos. Dirigido por Law Wing-Cheong, o longa, que fez enorme sucesso em seu país, não se contenta com uma única montagem fofa com música melosa, mas precisa de três destas para se dar por satisfeito.
Q é uma cachorrinha que, desde pequena, foi treinada para ser cão-guia. Sua primeira morada é na casa da menina Zhiquiao (Chutian Liu). As duas formam laços de amizade, o que leva a garota a sabotar a preparação do animal, mas este, apesar disso, parece ter nascido para seu destino, sendo capaz de realizar sua função mesmo sem o treinamento apropriado.
A separação é dolorosa, especialmente para a menina, mas Q é levada para Li Baoting (Simon Yam), um chefe confeiteiro que perdeu a visão e não aceita sua nova condição, nem contando com uma cachorra que seja “seus olhos”, como diz um dos responsáveis pelo animal. O roteiro de Susan Chan seguirá os caminhos mais previsíveis, seja no relacionamento de Q com seu novo dono, ou nos desdobramentos seguintes. E doenças terminais de humanos e animais são a carta mais barata que Eternos Companheiros tira de sua manga.
Em praticamente todas as cenas, o diretor Law exageram no tom emocional e emotivo, emoldurado por uma trilha sonora onipresente. Esteticamente, o longa lembra mais um comercial de televisão do que cinema. Na tela, atores e atrizes (excetuando Yam) sorriem o tempo todo, o que não faz muito sentido. Mas o que faz ainda menos sentido são os mais de 100 minutos de duração.
