O momento é a Primeira Guerra Mundial – na época, chamada de apenas A Grande Guerra. O cenário é um vilarejo francês, abandonado por todos, exceto pelos loucos e loucas do manicômio local, que tomaram conta dali. A missão é desarmar uma bomba-relógio deixada pelos exército alemão. A partir desses elementos, e com um protagonista chamado Soldado Charles Plumpick (Alan Bates), o cineasta francês Philippe de Broca criou em Esse mundo é dos loucos uma sátira antibelicista, que se tornou filme cult ao longo de seus mais de 50 anos de existência.
O tema do filme, de certa forma, faz lembrar o conto O Alienista, de Machado de Assis: o que é ser louco num mundo onde todos parecem estar loucos? O que o longa, escrito por Daniel Boulanger, leva a concluir é que, num mundo doente, ser o dito normal pode não ser a melhor das opções. Com um quê da contracultura típica de sua época, 1966, este se tornou queridinho dos jovens americanos universitários – especialmente daqueles contra a Guerra do Vietnã.
Nesse filme, no qual as coisas, propositadamente, nem sempre fazem sentido, o soldado escocês Plumpick, ao chegar à cidadezinha, é tomado pelo Rei de Copas, que há muito era esperado, e começa a receber um tratamento real. Os demais internos do manicômio também assumem papeis da realeza, mas a guerra, sempre por perto, de tempos em tempos, os chama à realidade.
A direção de De Broca é anárquica e carnavalesca, como pede o tema, com uma trilha sonora, assinada por Georges Delerue, que casa muito bem com o estilo e o que se vê na tela. Com Esse mundo é dos loucos, o cineasta fez um filme cult que sobrevive ao tempo com um tema que nunca envelhece.
