Nascido na Polônia, no começo do século XX, Ziembinski veio para o Brasil em 1941, durante a Segunda Guerra. Trabalhando na televisão, cinema e teatro, ele revolucionou a arte teatral no Brasil, especialmente com a partir da montagem de "Vestido de Noiva", de Nelson Rodrigues, em 1943. De maneira poética, o documentário reconta a sua história e sua carreira.
- Por Alysson Oliveira
- 24/09/2021
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Na Mostra Competitiva de longas e médias brasileiros do É Tudo Verdade de 2021, houve uma forte presença de obras que resgataram figuras importantes da cultura nacional. Zimba, de Joel Pizzini, que estreou no festival, assume a função de, poeticamente, trazer a história de Zbigniew Marian Ziembiński, mais conhecido como Ziembinski, ator e diretor polonês radicado no Brasil desde o começo dos anos de 1940, quando tinha 33 anos.
O documentário começa com a morte do ator, em 1978, e atores e atrizes comentam sobre sua importância. “Ziembinski é uma das mais sérias, mais importantes, mais fundamentais contribuições dadas por uma pessoa ao teatro brasileiro”, diz Paulo José, que trabalhou com ele no filme Edu, Coração de Ouro. A partir desse depoimento, Zimba revela a longa carreira que comprova essa fala. Muito ocorre em primeira pessoa, em depoimentos do próprio biografado, que conta, entre outras coisas, como veio para o Brasil com um visto diplomático.
As atrizes Nathália Timberg, Nicette Bruno e Camila Amado, que trabalharam com o diretor, contribuem na retomada dessa trajetória, seja em depoimentos ou mesmo em encenações. Um dos principais nomes do teatro brasileiro, Ziembinski tem a seu crédito a direção da histórica montagem revolucionária de estreia de Vestido de Noiva, de Nelson Rodrigues, apenas dois anos depois de sua chegada ao país e sua terceira peça. A parceria com o dramaturgo garantiu a direção de mais outras três de suas peças. Camila participou da remontagem em 1976, como a protagonista, Alaíde.
Mais do que falar de Ziembinski, o documentário repassa histórias do teatro brasileiro, como com Nicette contando sobre a primeira montagem de Anjo Negro, de 1947, quando ela tinha apenas 15 anos e fez o papel de uma cega. Já Nathália recorda a experiência de fazer a novela A Rainha Louca, de 1967, dirigida por ele, e explica o que é “pausa polonesa”.
Ziembinski diz em um depoimento que teve de “dominar a língua [portuguesa] de maneira a transformá-la além da verdade em minha língua materna.” Essa preocupação garantiu-lhe um português claro e o tornou algo que ele mesmo define como “brasileiro visceralmente”.
A montagem, assinada por Idê Lacreta, organiza uma narrativa pautada pelo ofício. O que define Ziembinski é o seu amor pela arte de atuar, até mesmo quando trabalha como diretor, e o documentário começa e termina com anedotas sobre a arte da atuação. Zimba é uma bela homenagem a esse grande talento e um resgate de uma figura-chave das artes cênicas brasileiras.
