Desde seu renascimento como herói de filmes de ação, o irlandês Liam Neeson já enfrentou de tudo. Agora, seu maior inimigo é o gelo. Ele protagoniza Missão Resgate (possivelmente o título nacional mais genérico que puderam inventar) como um dos três caminhoneiros dispostos a enfrentar uma estrada coberta de gelo, no norte do Canadá, para levar um equipamento até uma mina, cuja entrada foi bloqueada com um grupo de homens preso lá dentro.
Claramente inspirado em O Salário do Medo e seu remake americano, O Comboio do Medo, o filme tem ao centro os caminhões, seus motoristas e os perigos que enfrentam em sua missão. Escrito e dirigido pelo estreante Jonathan Hensleigh, o longa é marcado pela implausibilidade à medida que a viagem avança. Fora isso, o roteiro, totalmente previsível de ponta a ponta, não ajuda muito.
Neeson é Mike, caminhoneiro de uma frota que acabou de perder o emprego por se envolver numa briga porque o irmão foi ofendido. Seu irmão é Gurty (Marcus Thomas), um homem com problemas emocionais desde que voltou da guerra do Iraque. Ele é um mecânico talentoso, mas é preciso saber lidar com ele e os outros colegas não perdiam a chance de provocá-lo.
Mike atende o chamado de Jim Goldenrod (Laurence Fishburne), que procura um grupo de motoristas que, ao lado dele, transportará o equipamento necessário para abrir uma saída na mina soterrada. Uma das escolhidas é Tantoo (Amber Midthunder), uma ex-funcionária dele e ativista indígena, que assume a missão como pessoal – seu meio-irmão (Martin Sensmeier) está preso na mina. No caminhão dela, também viaja um funcionário da companhia de seguros, interpretado por Benjamin Walker as Varney.
Não custa muito e as coisas começam a dar errado. Partes do caminho são formadas por gelo muito fino, e é preciso ter a técnica precisa para atravessá-lo com um caminhão. Isso é explicado diversas vezes ao longo do filme – a ponto de se tornar um dispositivo óbvio e sem graça. Hensleigh dirige seu longa como um Michael Bay sem orçamento extravagante. O resultado é divertido boa parte do tempo, mas os excessos de sentimentalismo barato são deslocados, e, portanto, desnecessários. A trama envolvendo os problemas de Gurty, em especial, parecem forçadas, como um pretexto barato para alguma ressonância emocional.
Com efeitos digitais impressionantes, Missão Resgate é um filme bem-feito, mas destituído de estilo ou substância. Neeson, como sempre, é uma presença bem-vinda com seu humor carrancudo num personagem que ele faz sem muito esforço.
