05/07/2026
Drama

Selvagem

Sofia é uma jovem que mora numa periferia, aspira passar no vestibular e sair de casa. Porém, a escola onde estuda é o ocupada por um grupo de amigos e amigas, o que a coloca num dilema, se deve apoiar a ocupação, se colocando contra a precarização do ensino, ou continuar estudando sozinha.

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O brasileiro Selvagem é um filme que pulsa com a urgência do seu tema: o ensino púbico no país. Dirigido por Diego da Costa, o longa tem como mote a ocupação das escolas, por alunos do ensino médio, em 2015. O tempo que passou desde então pode fazer o longa soar como datado, mas, infelizmente, a verdade está longe disso. Cada vez mais sucateada, a escola pública e seus alunos estão no centro desse drama que vibra com a energia de seus personagens e elenco jovem, que, em boa parte, participou das ocupações reais. 
 
O cenário principal é uma escola na periferia que enfrenta dificuldades, até que um grupo de alunas e alunos decidem ocupá-la pacificamente, como estava acontecendo com diversas outras no país. Um estopim foi um projeto do governo de fazer uma reforma no ensino, realocando professores e alunos, fechando escolas e precarizando ainda mais o trabalho dos professores. No filme, rapidamente adolescentes do ensino médio, às portas do vestibular, se organizam, permanecendo dentro da escola onde estudam.
 
Há um senso de coletividade no filme, como nas ocupações, mas há também uma protagonista, Sofia (Fran Santos), uma jovem que pensa em seu futuro, preocupada com o vestibular, tendo uma atitude dúbia em relação à ocupação. Ao lado dela também está Ciro (Kelson Succi), filho de mãe solo, aspirante a poeta, o personagem em quem uma consciência de classe e social começa a surgir naquele momento, em sua primeira experiência de uma prática política.
 
É impressionante como Selvagem capta bem a dinâmica do movimento estudantil, em suas assembleias infinitas, nas discussões que perdem o foco, mas também na necessidade da união e da transformação. Claramente, na ocupação, o protagonismo do movimento acaba sendo naturalmente de um grupo de meninas, que tem ao centro Mirela (Erica Ribeiro).
 
O filme conta com a presença de Lucélia Santos e do artista Rincon Sapiência como professores que ajudam a despertar o senso crítico e social dos alunos e alunas da escola; do ator Dagoberto Feliz, como o pai emocionalmente abusivo de Sofia; e de Vilma Melo, como a mãe compreensiva de Ciro. Apesar dessas participações, o filme é mesmo dos e das adolescentes, que discutem, em cena, questões urgentes e relevantes para a juventude contemporânea.
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