14/06/2026

Thomas Anderson é um programador de computadores que comercia ilegalmente alguns programas. Ele sente uma estranheza na rotina à sua volta mas nada o prepara para a descoberta de que há mesmo uma realidade paralela, que se chama Matrix, mantida por máquinas. Mas há um núcleo humano rebelde querendo mudar as coisas.

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Voltando às telas 22 anos após seu lançamento, agora em versão para IMAX, o clássico das agora irmãs Wachowski ganha uma oportunidade de revisão e comparação com diversos outros clássicos de ação e ficção científica que bombaram nas telas todo este tempo. A boa nova é que o bom e velho Matrix não perdeu boa parte de seu encanto, mesmo em termos de efeitos visuais.
 
Continuam impactantes, mesmo agora, vistos na tela IMAX, os efeitos de personagens desviando-se de balas e andando pelas paredes. Mas isso não seria muito se a história original não continuasse ressoando em tempos atuais. E, quando se escuta da boca de um dos personagens, a comparação de seres humanos a vírus, um sobressalto se produz imediatamente em tempos de COVID-19.
 
O dilema existencial do protagonista, Neo (Keanu Reeves), acometido pela estranheza de estar vivendo algo não exatamente real, continua tendo impacto nos dias que correm. É exatamente por esta sintonia com o mal-estar da civilização, do qual Sigmund Freud falou com tanta precisão, que esta história continua viva e pode conectar-se não só com as antigas plateias que a tornaram cult como entre novas audiências. Todo mundo algum dia se sentiu como se estivesse em alguma espécie de realidade paralela, ainda mais no Brasil.
 
Para o bom funcionamento desta fábula distópica, atuam não só os elementos míticos, como a presença de um mentor carismático, Morpheus (Laurence Fishburne), uma espécie de princesa moderna, Trinity (Carrie Anne-Moss), e um vilão-modelo (Hugo Weaving), como o intensivo treinamento em kung fu do elenco, proporcionado pelo mestre Wo Ping - assim como a supervisão das coreografias das lutas por outro especialista, Yuen Wo Ping, parceiro de Jackie Chan. 

Esta mistura equilibrada entre as velhas e as novas artes é que fornece, afinal, o segredo do sucesso desta que se tornou uma franquiade sucesso, preparando agora o lançamento de um quarto capítulo, Matrix Resurrections, pilotado apenas por Lana Wachowski e com estreia prevista para 22 de dezembro no Brasil. No novo filme é que se poderá conferir, afinal, a capacidade de resistência e reinvenção da história, com a volta de velhos personagens e dos protagonistas, Reeves e Moss, mais velhos. Este será, enfim, o teste do tempo para uma história excepcional. 

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