05/07/2026
Drama

Os Condenados

São Paulo, anos 1920, João do Carmo acaba de chegar à cidade, onde consegue emprego como telegrafista na Estação da Luz. Ele se apaixona por uma jovem chamada Alma, mas ela acaba seduzida por um jovem gigolô.

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Primeira adaptação de Oswald de Andrade para o cinema, com roteiro assinado por Eduardo Coutinho, Antônio Carlos de Brito, o poeta e letrista Cacaso, e o diretor Zelito Viana, Os Condenados traz nos papeis principais Claudio Marzo e Isabel Ribeiro, uma grande atriz que morreu muito jovem, mas com papeis marcantes no cinema, em especial como a Madalena, de S. Bernardo, de Leon Hirszman.
 
Aqui, ela interpreta Alma d’Alvellos, uma jovem que se torna objeto da paixão de João do Carmo (Marzo), um sujeito que chega a São Paulo e se torna telegrafista na Estação da Luz, nos anos de 1920. Mas a história deles é cheia de elementos que a complicam, e a paixão dificilmente se materializa. Ela vive com o avô, num bairro de periferia da cidade, e acaba seduzida por um gigolô, Mauro Glade (Roberto Bataglin), com quem foge.
 
Quando é abandonada grávida por ele, João do Carmo novamente entra em sua vida, e a leva para uma pensão onde pensa em protegê-la. Mas a protagonista acaba não seguindo o plano traçado por ele, gerando novas decepções.
 
Os Condenados pode parecer uma história de amor, mais vai muito além disso. O romance entre Alma e João do Carmo é quase que um pretexto para investigar uma cidade em constante movimento. São Paulo é uma personagem aqui, seja na Estação e no Parque da Luz, ou nos cortiços nos arredores do centro, onde boa parte da ação se passa.
 
A fotografia de Dib Lutfi e José Antonio Ventura, assim como a montagem de Eduardo Escorel, fazem deste um filme vibrante em suas cores e ao acompanhar a trajetória de suas personagens. O colorido peculiar evoca uma São Paulo dos anos de 1920 em franco processo de modernização, mas ainda presa às convenções do passado. A direção de arte – em especial, do bordel e de suas festas – também é impressionante em seu colorido melancólico e nostálgico.
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