05/07/2026
Drama

Os Amantes [1991]

Na Madri dos anos de 1950, um jovem procura um lugar para morar, depois de prestar o serviço militar. Ele encontra um quarto no apartamento de uma viúva, que, ao contrário de sua namorada, está interessada nas investidas sexuais que ele faz.

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Madri é sempre cinza no neo-noir Amantes, do espanhol Vicente Aranda. Uma cidade conhecida por suas cores calientes ganha tons mais melancólicos, embora ainda bastante sensuais no filme, no qual um jovem que acaba de cumprir o serviço militar, Paco (Jorge Sanz), fica divido entre duas mulheres: a namorada virginal, Trini (Maribel Verdú), e a fogosa dona do apartamento onde mora, Luisa (Victoria Abril, premiada no Festival de Berlim de 1991 por esse trabalho).
 
Aranda, que assina o roteiro com Álvaro del Amo e Carlos Pérez Merinero, parte da eterna dicotomia entre a santa e a meretriz para criar personagens femininas repletas de nuances e complexidade. Muito, é claro, se deve às duas atrizes, que estão excepcionais em seus papeis. Sanz também está bem, mas tem como desvantagem um personagem abobalhado, preso entre duas mulheres e incapaz de tomar a decisão de ficar com aquela de quem realmente gosta, Luisa.
 
Luisa é viúva, e algumas verdades sobre a morte do marido emergem com o tempo – ao contrário dos milhares de esqueletos escondidos no armário da história espanhola durante a ditadura. Paco acaba usando as roupas do marido morto e acha isso muito normal. É simplesmente o caminho de sua ascensão social e como homem também.
 
Aranda, que morreu em 2015, sempre filmou o desejo sem pudores – e aqui não é diferente. A relação entre Luisa e Paco começa com o sexo e caminha para o romance, até que ele perca completamente a razão. Ainda assim, a namoradinha tem suas armas – e sua pureza não deixa de ser uma delas.
 
Os Amantes parte do desejo particular dos personagens para investigar um desejo maior, o nacional de uma Espanha mergulhada no franquismo, na década de 1950. Os tons melancolicamente acinzentados da fotografia de José Luis Alcaine vez por outra são manchados pelas cores quentes do figurino e do apartamento de Luisa, como um sopro de esperança e liberdade – materializada aqui na forma sexual – num país tomado pelo fascismo.
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