A jovem polonesa Ola sonha em ter um carro, que seu pai prometeu, mas, para isso, precisa passar no teste e tirar sua habilitação. Depois de falhar pela terceira vez, ela recebe uma ligação avisando que o pai morreu num acidente de trabalho na Irlanda, onde morava. Sendo a única pessoa da família que fala inglês, ela deverá viajar até lá para liberar o corpo.
- Por Alysson Oliveira
- 17/01/2022
- Tempo de leitura 2 minutos
Um dos grandes atrativos da comédia dramática polonesa Eu não choro é sua protagonista: a atriz Zofia Stafiej, que interpreta Ola, uma jovem rebelde, mas nEM por isso destituída de sentimentos e bom senso – às vezes, mais do que sua mãe (Kinga Preis). O filme abre com ela em seu terceiro teste para tirar habilitação, o que termina num incidente que mostra bem o espírito da moça.
O enredo é sobre sua passagem para a vida adulta, seu ritual de amadurecimento. E o processo começa quando recebe uma ligação: seu pai, que morava na Irlanda e que lhe prometeu um carro quando ela tirasse a carta, morreu num acidente de trabalho. Morando com a mãe e o irmão (Dawid Tulej), Ola é a única que fala inglês e se vê obrigada a viajar – mesmo sem nunca ter saído do país – para assinar a papelada, liberar o corpo do pai e trazê-lo de volta para ser enterrado.
Ola, em Dublin, enfrenta uma via crúcis de burocracias e taxas, que ela nem sempre tem condições de pagar, para levar o pai de volta para sua cidade, onde será enterrado num cemitério perto de casa com a benção do padre local, conforme o desejo da mãe dela. Mas as coisas não são simples assim, e os valores altos – chegando a 3 mil euros para transladar o corpo, uma fortuna para a família que vive em condições modestas.
A relação da jovem – na verdade, da família toda – com o pai não era das melhores, e a distância só complicou isso. Mas, inusitadamente, passa a conhecê-lo um pouco mais, mesmo depois de morto, por meio de amigos e de uma suposta namorada dele. Por outro lado, nas conversas por telefone com a mãe, a jovem se mostra ainda mais sensata.
Escrito e dirigido por Piotr Domalewski, Eu não choro traz à tona, nessa jornada de amadurecimento de Ola, questões sociais bastante pertinentes do presente: como a exploração do trabalho imigrante e a suposta homogeneidade da União Europeia, o que fica bem claro a cada passo da protagonista para transportar o pai de volta à Polônia. Contando com uma personagem e atriz sagaz, o filme tira o máximo proveito de cada situação. O diretor opta por um registro mais próximo de uma comédia melancólica do que do drama pesado em que a história poderia facilmente cair. Ao final, mostra-se uma escolha bem acertada.
