Não há sombra de dúvidas de que está cada vez “mais down in the high society”. Núpcias de Escândalo, uma das comédias românticas mais amadas e cujas falas são ditas na velocidade de uma metralhadora giratória – especialmente por Katherine Hepburn. Ela repete um papel que fez com sucesso na Broadway, embora os produtores do filme tivessem receio de a escalar para o papel pois, no cinema, era conhecida, naquele momento, como “veneno de bilheteria”.No entanto, não podiam dispensá-la, já que ela era dona dos direitos de adaptação do texto de Philip Barry, quem em 1956 também rendeu o musical High Society.
Ao lado de contemporâneos como Levada da Breca (que só viria a ter sua grandiosidade reconhecida anos mais tarde) e Jejum de Amor, essa comédia define o gênero e mostra que as comédias românticas podem ser (ou nem sempre foram) diferentes dessa coisa sorumbática (com raras exceções). A verve, os diálogos rápidos e ácidos, as atuações impecáveis, tudo isso faz deste um filme exemplar, apesar da engessada estrutura teatral, que o diretor George Cukor sabe muito bem usar a seu favor.
Poucas atrizes conseguiram um retorno tão vitorioso a Hollywood como Hepburn aqui. Longe das telas desde 1938, ela voltava por cima no papel da herdeira Tracy Lords, que prepara a cerimônia de seu segundo casamento. O problema é que o primeiro marido, CK Dexter Haven (Cary Grant), ainda é apaixonado por ela e prepara uma armação para evitar o enlace. Ele convoca um jornalista, Macaulay Connor (James Stewart, num papel que lhe rendeu seu primeiro Oscar; o segundo sendo um prêmio honorário), e sua fotógrafa, Elizabeth Imbrie (Ruth Hussey), para entrarem de penetras na cerimônia e fazerem uma matéria escandalosa sobre o pai da protagonista.
Embora não haja dúvidas de que o filme é de Hepburn – boa parte da personagem, inclusive, foi inspirada, originalmente, nela –, a atriz enfrenta um páreo duro com coadjuvantes que brilham. A começar por sua irmã caçula, Dinah (Virginia Weidle), que dá provas que que será tão, ou mais, sagaz do que Tracy num futuro próximo, com sua língua ferina.
Tudo se passa na mais alta sociedade, e assim Núpcias de Escândalo também satiriza – às vezes ridiculariza mesmo – os costumes mais absurdos dos ricos, especialmente numa situação social como um casamento no qual um quer se mostrar mais abonado do que o outro. O roteiro foi assinado por Donald Ogden Stewart, que também ganhou um Oscar. Hepburn foi apenas indicada, acabou perdendo para Ginger Rogers e declarou: “Meu prêmio é meu trabalho.” Com uma atuação como se vê aqui, não há a menor dúvida disso.
