14/06/2026
Ficção científica Ação

Moonfall - Ameaça Lunar

Quando a Lua sai de sua órbita e se dirige rumo à Terra, o caos se instala. Astronautas planejam uma missão arriscada para salvar o planeta.

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Aparentemente, quando corpos celestes rumam a um choque contra a Terra, a ameaça acontece em dose dupla. Hollywoodianamente, falando, é claro. Em 1998, foram Impacto Profundo, de Mimi Leder, e Armageddon, de Michael Bay. Eram dois filmes com tom e desenrolar da trama bastante diferentes, mas com uma questão em comum: o que a humanidade (leia-se, os EUA) fariam diante da possibilidade de destruição do planeta? Agora, mal nos recuperamos da ameaça do meteorito de Não olhe para cima, de Adam McKay, é a vez da Lua rumar a uma colisão contra a Terra em Moonfall – Ameaça Lunar. Mas, em se tratando de um filme de Roland Emmerich, sabemos que o caos e destruição serão, em certa medida, inevitáveis.
 
Aqui, o improvável acontece: o satélite sai de órbita numa trajetória doida e, em poucas semanas, se chocará contra a Terra. Antes disso, no entanto, o apocalipse. As marés sobem, as pessoas enlouquecem, o governo dos EUA toma suas medidas para salvar o planeta – ou, ao menos, as vidas deles e de suas famílias, num bunker. Curiosamente, a primeira pessoa a notar isso, como a doutoranda de Jennifer Lawrence, é sumariamente ignorada. Aqui, há mais motivos para isso: trata-se um sujeito que espalha teorias conspiracionistas pela internet, KC Houseman (John Bradley), que acredita numa coisa chamada megaestrutura – basicamente, coisas muito grandes foram construídas e não podem ser naturais. Bem, para ele, a Lua é uma dessas.
 
Calma, vai ficar mais complicado e improvável. Enfim, uma missão é mandada pelo governo dos EUA, algo de bem estranho acontece e a NASA assiste a isso em tempo real: uma força, um ser alienígena, seja lá o que for, sai de uma das crateras da Lua, ataca e mata toda a tripulação. O governo dos EUA quer usar armas nucleares para bombardear o satélite (a cada dia mais próximo da Terra, que virou um caos inundado e com o pior do ser humano vindo à tona). Isso seria a destruição de boa parte da vida no planeta, então uma ex-astronauta, Jo (Halle Berry), tem a ideia de, com seu antigo companheiro de missão, Brian Harper (Patrick Wilson), ir rumo à Lua, enfrentar e jogar uma bomba dentro da criatura ameaçadora.
 
A dupla tem questões do passado para resolver antes ou durante a missão: anos atrás, estavam trabalhando num satélite, próximo à Lua, quando aconteceu algo inexplicável e um colega deles morreu. Brian foi processado por má conduta, perdeu o emprego e, embora diga que foram atacados por alguma coisa, o filho adolescente (Charlie Plummer) o trata mal por isso. Essa parte, é claro, servirá como um lance dramático que será resolvido graças à nova missão rumo à Lua.
 
Emmerich, trabalhando com um roteiro assinado por ele e Spenser Cohen e Harald Kloser, atola o filme de coisas. Tanto no espaço sideral, quanto na Terra. Enquanto Jo, Brian e KC (sim, ele, por várias razões, também vai) estão numa nave que é a última esperança da Terra, Sonny, a família dele – composta pela mãe (Carolina Bartczak), padrasto (Michael Peña), e irmãs pequenas (Ava Weiss e Hazel Nugent) – o filho pequeno de Jo, Jimmy (Zayn Maloney), e sua babá chinesa, Michele (Wenwen Yu), rumam para um bunker onde o ex-marido militar da astronauta espera por todos.
 
Moonfall adere ao drama humano, aos sacrifícios e às explicações enroladas, a ponto de poder levar o público a se perder – mas isso não é exatamente o maior problema aqui. O filme só decola quando (com licença pelo trocadilho) os astronautas vão para o espaço. Até então, não passa de uma série de falsos começos, falatórios e temas que Não olhe para cima tratou com mais sagacidade e cinismo. Este aqui é um filme que se leva a sério – bem a sério, tanto que a suas únicas piadas assumidas (envolvendo uma mulher, Karen, e outra num hotel com papel de parede com o mesmo padrão do carpete do hotel de O Iluminado) perdem-se por si mesmas.
 
Há uma explicação para o deslocamento da Lua, e é impressionante que alguém tenha inventado aquilo. Aliás, em certos momentos, há explicações demais, que embaralham a cabeça de qualquer um, mas devem fazer ao menos algum sentido dentro da lógica doida do filme. E quem acha exagero conspiracionista demais os programas de televisão sobre os alienígenas do passado que teriam supostamente construído as Pirâmides do Egito, não perde por esperar em Moonfall.
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