18/07/2026
Terror

Exorcismo Sagrado

Quase duas décadas atrás, um padre americano que mora no México foi chamado para exorcizar uma jovem, mas acabou cometendo um pecado. Agora, novamente, deve realizar um exorcismo e tem a chance de reparar seu erro.

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Ao realizar seu grande O Exorcista, lançado em 1973, William Friedkin fez um grande bem para o cinema mas, talvez, um grande mal para seus colegas de profissão. Com o filme definitivo sobre o assunto, ele estabeleceu um padrão lá em cima Praticamente tudo o que veio depois não consegue não parecer, no mínimo, um derivativo. O que é o caso de Exorcismo Sagrado, que já seria ruim como cinema, independente de estar ou não ligado ao antecessor. Há cenas que ficam na linha tênue entre a homenagem e o plágio.
 
Dirigido pelo mexicano Alejandro Hidalgo, esse é um filme que não faz nenhum favor para a imagem de seu país – inclusive por uma ligeira homofobia no final e a misoginia o tempo todo–, pintando-o como retrógrado e um inferno na Terra. Quem vem para salvar é um padre americano, Peter (Will Beinbrink), que, em 2003, teve de contrariar seus superiores e realizar um exorcismo sozinho – não dava tempo para esperar a chegada do especialista que vinha da Inglaterra. Enquanto realizava o ritual, acabou possuído pelo demônio, estuprando a jovem, Magali (Irán Castillo), que era a hospedeira da entidade.
 
Quase 20 anos se passam, e o padre Peter ainda é consumido pela culpa. Ele se confessou, mas não conseguiu cumprir a penitência que lhe foi passada, por isso ainda está contaminado pelo pecado – as implicações legais jamais são mencionadas, diga-se. Tentando expiar a culpa, ele cuida de um orfanato na mesma cidadezinha, mas as crianças estão inexplicavelmente adoecendo e morrendo. O religioso acha que isso é um castigo de Deus por seu ato, e sua fé fica abalada.
 
O sentimento perdura até ser chamado para exorcizar uma jovem de 18 anos que está presa por ter matado um homem. O roteiro, assinado por Hidalgo e Santiago Fernández Calvete, não poupa lances dignos de novelas mexicanas, e a ex-possuída do começo do filme volta à cena (ela se tornara freira, mas aparentemente abandonou o hábito), e segredos do passado vêm à tona.
 
É bem claro que Exorcismo Sagrado pretende criticar a Igreja Católica. Os rituais de exorcismo, diz o padre veterano Michael (Joseph Marcell), são ultrapassados, e os demônios não caem duas vezes na mesma armadilha. É preciso realizar exorcismos personalizados, exorcismo de autor, complementa. Seria uma crítica ao pensamento arcaico da Igreja diante do mundo de hoje? Mas, no fim, em especial na penúltima cena, um sermão está bastante de acordo com alguns dos pensamentos mais retrógrados da igreja – especialmente quando o padre enumera as categorias que queimarão no inferno. Ou seja, há crítica, mas só do que lhe interessa.
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