17/07/2026
Experimental

Primavera

A história de uma família brasileira, desde suas origens com um inglês no século XVIII, até a modernidade no século XX, é contada de maneira experimental com as imagens mais variadas e encenações.

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Longe do cinema desde 2015, com a adaptação nacional de Macbeth chamada A Floresta que se Move, Ana Paula Arósio está no elenco de Primavera, escrito e dirigido por Carlos Porto de Andrade Jr. No elenco, também está Ruth de Souza, morta em 2019, e Ruth Escobar, que morreu em 2017 – ou seja, é um projeto que está em produção há vários anos e só agora chega aos cinemas.
 
Primavera é, acima de tudo, um filme experimental, calcado numa impressionante montagem pós-moderna, assinada por Emerson Brandt, que retira a histrocidade de narrativas e imagens, colocando lado a lado cenas e fotografias de origens e momentos mais diversos Tudo isso para contar a saga de uma família ao longo dos anos, a partir de um livro escrito por dois de seus membros.
 
A narrativa começa no século XVIII, com um inglês, e acompanha, de maneira errante, seus descendentes brasileiros. É uma construção um tanto barroca, repleta de idas e vindas no tempo e espaço, enquanto uma incansável narração em off conta o que está acontecendo. Nesse sentido, Primavera é corajoso, em sua estética rebuscada, cheia de cores, sons e certa fúria.
 
Ana Paula interpreta uma das pessoas dessa família, Rosa, avó do narrador. Uma jovem de rara beleza, carisma e inteligência, que viajou por diversos países, inclusive para a França, onde posou como modelo para ninguém menos do que Rodin. Já Ruth de Souza interpreta a dona de um bordel; e Ruth Escobar, uma prima portuguesa. O elenco também conta com a participação de Marília Gabriela, no papel de uma estátua da Virgem Maria que ganha vida.
 
Primavera é um filme curioso pelo seu experimentalismo, sua narrativa ousada e a montagem de fôlego Mas, por esses mesmos motivos, sua duração de quase 2 horas (embora cerca de 7 minutos sejam só de créditos, dando as referências da origem de todas as imagens) mostra-se um tanto excessiva e cansativa, tamanha a quantidade de informações despejadas sobre o público.
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