A primeira adaptação do romance O Beco das Almas Perdidas, de William Lindsay Gresham (recentemente refilmado por Guillermo Del Toro, e lançado aqui com o título O Beco do Pesadelo), é dirigida por Edmund Goulding, e traz Tyrone Power em seu papel favorito no cinema, com o qual tentava mudar sua imagem de galã, vivendo um golpista.
Stan Carlisle (Power) é um sujeito esperto e capaz de aplicar pequenos e grandes golpes, o que garante sua ascensão num mundo pautado por enganações, num circo no qual tudo é falso. O jogo de ilusões engana o público e dá dinheiro ao dono, que conta com as atrações mais variadas, às quais o protagonista se junta.
Jona Blondel interpreta Zeena, mulher do dono do circo (Ian Keith), e capaz de “adivinhar” e responder perguntas que o público faz durante o espetáculo. Ela acaba se envolvendo romanticamente com Carlisle mas, no fundo, como todas as mulheres da vida dele, é só usada para sua ascensão. Ao se aproximar dela, Stan descobre como funciona o código para se “ler” os pensamentos e se prepara para dar seus próprios golpes, com a ajuda de jovem Molly (Coleen Gray), cujo número no espetáculo envolve aplicar correntes elétricas no próprio corpo.
Os dois deixam o submundo circense e chegam à alta roda, onde ele se torna famoso com suas adivinhações e até contato com os mortos. Isto acaba chamando a atenção da dra Lilith Ritter (Helen Walker), uma psicóloga dúbia, que também pode ser tão golpista ou ainda mais do que Carlisle.
A fotografia de Lee Garmes (Marrocos, O Expresso de Shangai) usa o preto e branco com eficácia para transformar os mais diversos estados emocionais das personagens. O jogo de luz e sombra é muito adequado para o mundo de incertezas por onde as personagens se movem.
