Aleluia, Gretchen, de Sylvio Bach, é um filme que (infelizmente) voltou a ser muito atual. Nele, uma família alemã imigra para o sul do Brasil, no final da década de 1930, pois o patriarca, o professor Ross (Sérgio Hingst), discordou do Partido Nacional Socialista Alemão, também conhecido como o Partido Nazista, começando a sofrer uma perseguição, mesmo sendo admirador do nazismo.
A família compra um antigo hotel com o dinheiro de frau Lotte (Miriam Pires), uma fervorosa admiradora do nazismo, e batizam o local como Hotel Florida (anagrama de Adolfo Hitler), onde também passam a viver. O local torna-se uma espécie de refúgio ariano, que não apenas esconde a família de possíveis curiosos mas também protege-os de qualquer contatp com brasileiros.
Ainda assim, a família encontra no brasileiro Aurélio (José Maria Santos), um integralista admirador do nazismo, um amigo e apoiador. Por outro lado, a filha Gudrun (Selma Egrei) se envolve com um brasileiro, Eurico (Carlos Vereza), trazendo tensão e receio para dentro do ambiente familiar. Eles também colocam um rapaz negro, Repo (Narciso Assumpção), como funcionário do local, na verdade, transformando-o num escravo que tem ilusões de que um dia embranquecerá.
Talvez há uns anos atrás o filme poderia ser chamado de datado, porém, diante da conjuntura atual do país – em que a cada dia novas células de simpatizantes ao nazismo são encontradas -, Aleluia, Gretchen ganha uma estranha relevância em seu retrato de um país latino que serve de ninho a ideologias contra si mesmo. O roteiro, assinado por Back, em colaboração com Manoel Carlos Karam e Oscar Milton Volpini, toma, às vezes, caminhos um tanto didáticos, mas também é de se pensar se não é necessário dizer o óbvio nos dias de hoje. Em tempo, a montagem do filme é do crítico de cinema Inácio Araújo.
