Já virou clichê dizer que Liam Neeson reinventou sua carreira nos últimos anos, quando se descobriu como herói tardio de filmes de ação. Mas não há outra forma de se referir a ele – por opção do próprio ator. Sempre homens atormentados, com uma cara infeliz correndo, atirando e trazendo a verdade à tona. Em Agente das Sombras, novamente, todo o pacote, num filme tão genérico quanto óbvio – em especial pela presença do ator.
Neeson é Travis Block, que trabalha para o FBI, embora, oficialmente, ele não pertence à agência. É um agente que, para mais uma obviedade, se move pelas sombras. Sua função é consertar as coisas quando algo sai do controle. Quando um agente ou uma agente oficial está em apuros, ele chega para dar um jeito em tudo de uma maneira pouco ortodoxa e, possivelmente, fora dos padrões legais.
O filme começa com uma jovem candidata ao Congresso fazendo um discurso. Com uma agenda e um figurino à la Alexandria Ocasio-Cortez, a jovem advoga pelas minorias e causas identitárias, o que certamente não agrada aos conservadores. Tanto que ela encontra um destino fatal – numa cena pouco plausível: uma candidata como ela andando de uber e sem seguranças, mas, enfim...
Sua morte é dada como acidental, mas uma jovem repórter, Mira Jones (Emmy Raver-Lampman), acredita o contrário e começa a fazer uma investigação independente, mesmo à revelia de seu editor (Tim Draxl), que chama tudo de teoria da conspiração. A jornalista tem uma fonte que pretende entregar-lhe provas de que o crime foi planejado pelo FBI. Essa fonte trata-se de Dusty Crane (Taylor John Smith), um jovem agente atormentado que se entope de comprimidos e álcool e se torna uma missão de Block.
Dirigido por Mark Williams, com quem Neeson já trabalhou em Legado Explosivo, Agente das Sombras carece de uma trama menos estapafúrdia e personagens mais verossímeis. Block não tem o mesmo carisma que os outros personagens do ator. Seu drama familiar – querendo ter uma vida normal com a filha (Claire van der Boom) e a neta (Gabriella Sengos) – é só mais um dos elementos sem qualquer personalidade no filme.
Williams, que assina o roteiro com Nick May, parece inspirar-se em filmes de conspiração dos anos de 1970, como A Trama e Três Dias do Condor, mas passa longe da posição política e da densidade desse clássicos. Oresultado é só mais um filme de correria, perseguições e tiros protagonizado por Liam Neeson.
