04/07/2026
Drama

Fabian - O Mundo está Acabando

Fabian tem 20 poucos anos e não tem rumo na vida, até conhecer a bela Cornelia, uma estudante de direito que sonha em trabalhar com cinema, seja como advogada ou atriz.

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É impressionante como tantos filmes e cineastas alemães contemporâneos tentam emular – ou evocar, que seja – a obra de Rainer Werner Fassbinder. Dominik Graf, com seu Fabian – O Mundo Está Acabando, é mais uma das vítimas dessa estratégia. Com quase três horas, o longa se passa no período entre-guerras, quando o nazismo começa a surgir, até capturar corações e mentes na Alemanha destruída pelo conflito, dilacerando a vida de um trio de jovens.
 
Publicado originalmente em 1931, o romance homônimo de Erich Kästner tenta dar forma literária aos acontecimentos ainda no calor do momento. O filme, por sua vez, tem a vantagem histórica de olhar para um passado já concluído, mas que reverbera cada vez mais no presente. Graf, inclusive, começa o longa numa estação de metrô nos dias de hoje, com uma câmera que percorre uma plataforma e corredores, até subir as escadas para a rua onde há diversos cartazes nazistas, e aí mergulhar no passado.
 
É clara, obviamente, a estratégia do diretor, que assina o roteiro com Constantin Lieb, de juntar passado e presente. Mas Graf não é Fassbinder, e seu Fabian não é Berlin Alexanderplatz. Essa segunda adaptação do livro de Kastner é visualmente sedutora, mas também se torna cansativa e excessiva em sua insistência em mostrar o decadentismo de uma sociedade à beira do colapso, que servirá como uma espécie de vácuo a ser preenchido pelo nazismo.
 
Jakob Fabian (Tom Schilling) tem 32 anos (a mesma idade do escritor quando publicou seu livro) e está em busca de um rumo na vida. Trabalha, não por muito tempo, na área de marketing de uma empresa de cigarros. Sua vida errante envolve encontros sexuais rápidos, como com Irene Moll (Meret Becker), que o leva para a casa dela e tenta fazê-lo assinar um contrato com seu marido antes de dormir com ela.
 
Nesse começo, Graf é dado a excessos e extravagâncias visuais: com tela dividida, imagens aceleradas, imagens de arquivo, entre outras coisas. Estabelece uma atmosfera, mas também já cansa logo no começo. Por isso, é um alívio quando Fabian conhece Cornelia Battenberg (Saskia Rosendahl), uma estagiária de direito num estúdio de cinema e aspirante a atriz, que dá rumo não apenas à vida dele como ao filme. Por acaso, descobrem que moram em quartos alugados na mesma pensão, e uma paixão romântica surge entre eles – apesar do clima na cidade estar cada vez mais tenso.
 
Entra em cena também Stephan Labude (Albrecht Schuch), melhor amigo de Fabian, rico e estudante de filosofia. O jovem, de esquerda, acredita na possibilidade de uma mudança política, mas ele é uma figura trágica desde o começo, cujo destino, claramente, está marcado pela decepção e um peso da existência que ele jamais conseguirá suportar.
 
Fabian encontra momentos de beleza na interpretação inspirada do trio central. Há inegável química entre Schilling e Rosendahl, assim como a devida gravidade de Labude em Schuch. É Graf quem parece jogar contra seus personagens e elenco, insistindo a todo momento, de maneira óbvia, nos paralelos entre passado e presente. É como se, nesse dispositivo, quisesse validar a existência de uma adaptação do romance em pleno século XXI – o que é completamente desnecessário, pois a narrativa do filme já fala por si mesma.
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