18/07/2026
Suspense Comédia

Charada

Regina Lampert é uma americana radicada em Paris que, ao voltar de férias, descobre que seu marido foi assassinado. A partir daí, uma trama de segredos e mistério se abre, envolvendo também um homem que ela acabou de conhecer.

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Lançado no final de 1963, pouco depois do assassinato do presidente John Kennedy, Charada é um filme que sobrevive a qualquer teste do tempo. Uma comédia de suspense, ao mesmo tempo engraçadíssima e tensa, repleta de reviravoltas, e estrelada por um dos melhores casais que Hollywood conseguiu reunir na tela: Audrey Hepburn e Cary Grant. Conhecido, também, como "o melhor filme de Hitchcock que Hitchcock nunca fez", o longa dirigido por Stanley Donen beira a perfeição, desde seus créditos psicodélicos, ao som de Henri Mancini, até as inesperadas surpresas que ajudam a fazer justiça ao seu título.
 
É um jogo de adivinhações o tempo todo: Quem está mentindo? Quem é quem? O que vai acontecer agora? A trama espiralada, escrita por Peter Stone, é marcada por seu tom de comédia, que, não poucas vezes, se aproxima do pastelão. Como levar a sério Grant tomando banho de roupa? (Na verdade, a cena nem foi criada para efeito cômico, pois, aos quase 60 anos, ele não se sentia confortável em tirar a roupa em cena, mas isso pouco importa – o que conta é o efeito). Ou as caras e bocas de Hepburn, sempre surpreendida, em um de seus momentos mais engraçados no cinema. Como ninguém tinha juntado antes esse casal?
 
Ela interpreta Regina Lampert, que, no começo do filme, esquia num resort com uma amiga francesa e o filho pequeno desta. Ao voltar para casa em Paris, descobre não apenas que marido morreu, como também que sua casa está vazia. Pior ainda, ao pedir ajuda na embaixada americana, fica sabendo que ele tinha diversas identidades e, com um grupo de colegas com quem lutou na II Guerra, roubou do governo 250 mil dólares em ouro. Acredita-se agora que ela sabe o paradeiro. Como lhe avisa um tal de Bartholomew (Walter Matthau), da embaixada, ela corre risco.
 
Entra em cena Peter Joshua (Grant), com quem ela flertara discretamente no resort, antes de saber que era viúva. Agora, ele a procura e oferece proteção, mas ele também pode estar envolvido no crime do marido e em busca do ouro – ou não.
 
Tudo em Charada é um tanto nebuloso e, mais tarde, revela-se diferente do que parecia ser - e nisso está a graça do filme. Talvez alguns elementos da trama não façam o menor sentido, mas isso pouco importa. O que há de melhor é a química entre o casal Hepburn e Grant, que também são perfeitos no humor que, aqui, é sempre orgânico. Não há uma piada, uma gag que seja forçada. Com quase 60 anos de idade, esse é um filme que jamais envelhecerá.
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