Em Nunca Fomos Tão Modernos, de “moderno” mesmo só a palavra no título. O longa dirigido e protagonizado por Guga Coelho, é um festival de clichês antigos sobre relacionamentos, mulheres e homossexualidade. Escrito pelo diretor, sua mãe, a novelista Ana Maria Coelho Moretzsohn, e Sérgio Marques, o roteiro parece saído do baú dos anos de 1980, quando certos comportamentos eram tomados como engraçados – embora nem fossem.
Coelho interpreta Santiago, que trabalha num pequeno escritório de investimentos, e vive com Marina (Letícia Spiller), uma mulher que todos julgam bonita (as palavras geralmente usadas no filme são outras mais vulgares) demais para ele. Mas até aí tudo bem. Ela sonha em se casar oficialmente mas, aparentemente, o companheiro está muito concentrado no trabalho e dá pouca atenção a ela.
Para o conquistar novamente, ela resolve aquele tipo de coisas que só em filme as pessoas fazem: fingir que está tendo um caso com seu colega de trabalho, Argeu (Dudu Azevedo), que é assumidamente gay (ou, nas palavras do protagonista, “moça, menina, baitola, boiolinha”) – na verdade, carregadamente gay, com todos os clichês verbais e físicos que se costuma empregar quando se é incapaz de interpretar com coerência personagens assim.
O plano, obviamente, não dá certo, mas os sofríveis 70 e poucos minutos de Nunca Fomos Modernos custa a aceitar isso. Marina e Argeu são restauradores, e, conforme dizem, o ateliê é muito quente, por isso trabalham com roupas mínimas – enquanto ele, além disso, faz caras e bocas para lembrar a todo momento que é gay.
As cenas do filme parecem nunca estar concatenadas, e a montagem poderia ser em qualquer ordem que nada faria sentido mesmo. Há momentos de uma tentativa de humor rasteiro, como quando Santiago se refere aos investimentos de sua sogra (Lucinha Lins) como “a periquita” dela, gerando falas de duplo sentido constrangedoras.
A direção também creditada do irmão de Coelho, Alexandre Coelho Moretzsohn, não sabe muito bem para onde apontar a câmera, e os baixos recursos financeiros são bem perceptiíveis nas limitações técnicas – como, por exemplo, o canto de “um bar” sendo usado como cenário para diversos momentos praticamente aleatórios. Num deles, por exemplo, o protagonista fica arrotando entre uma frase e outra. Qual seria a graça ou a razão disso?
