Dirigido por Caco Souza, Até A Noite Terminar é um filme com tantas, mas tantas reviravoltas, que ele mesmo se perde. A ideia talvez fosse fazer um suspense surpreendente no qual nada é o que parece – já começa aí um dos seus surrados clichês – com explicações psicológicas (uma das personagens-centrais é uma psicanalista).
Com roteiro assinado por Cláudia Lemes, o longa tem dificuldades para compreender tanto o mundo editorial quanto o da psicanálise, com explicações que parecem saídas de vídeos de coachs do Tik Tok. Uma psicanalista conclui que um certo personagem não pode ser escritor pois é psicopata, e para se escrever ficção é preciso se colocar no lugar do outro. “Como pode um psicopata se colocar no lugar do outro se ele não consegue sentir empatia?”, pergunta, indignada. Esse tipo de falas aparecem aos montes no longa.
Tom (Milhem Cortaz) é um escritor de sucesso. Seu livro A Viagem é o mais vendido, está sendo traduzido para oito idiomas e é sucesso de crítica. Sua mulher, Alice (Simone Soares), uma psicanalista, é louca pelo marido – tanto que convenceu o pai a publicar o romance.
O filme começa com os dois num carro viajando mas, devido a um acidente, são obrigados da pedir ajuda na casa mais próxima, onde encontram a Senhora H (Clarice Abujamra), que misteriosamente já espera por eles. Flashbacks contam que Alice tem uma paciente, Melissa (Dandara Albuquerque), que aspira a ser escritora, e cujo destino está ligado ao da médica e seu marido.
A tentativa de criar uma atmosfera de mistério é forçada, e sempre marcada por uma trilha sonora quase onipresente, assinada por XX, que pouco contribui, na verdade, para esse clima. Nada soa orgânico nesse filme, no sentido de criar suas inúmeras reviravoltas – até sua conclusão mais risível do que verossímil. Ao longo da trama, os personagens falam algumas vezes que “queriam assistir a um filme ruim”. Bem, talvez não precisem procurar muito.
