04/07/2026
Romance Drama

Downton Abbey II: Uma Nova Era

A morte de um marquês na Riviera Francesa leva a que a condessa-viúva Violet Crawley entre na posse de uma villa, deixada em herança. Para lá partem seu filho, o conde Robert, a mulher Cora e o antigo mordomo, Carson. Enquanto isso, lady Mary fica tomando conta de Downton Abbey, que foi alugada para uma trupe de cinema, que vem realizar um filme.

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Num tempo tão sombrio e turbulento como o nosso, há um inegável conforto em adentrar na atmosfera de Downton Abbey II - Uma Nova Era. Três anos depois que um longa nos cinemas já havia revisitado a premiada série de TV, o habilidoso roteirista Julian Fellowes demonstra fôlego suficiente para criar tramas novas, divertidas e cálidas para manter ágil o novo longa, agora assinado por Simon Curtis. 
 
Uma vez mais, o epicentro de tudo é a condessa-viúva Violet Crawley - uma Maggie Smith tão afiada como sempre, apoderando-se de cada gesto, cada frase, cada entonação com a verve acumulada em suas mais de oito décadas de vida com uma elegância, ritmo e humor que nunca falham. Se há um tesouro na bela propriedade de Downton Abbey, certamente é ela. 
 
Para fazer jus a um elenco tão numeroso, o roteirista Fellowes cria dois focos para suas tramas. Um deles, filmagens em Downton Abbey, trazendo à mansão sempre bela, mas necessitada de consertos, uma trupe de cinema que pagará para usar sua locação por algumas semanas. O outro, a notícia de que a condessa-viúva herdou uma villa no sul da França, cuja posse é oportunidade para colocar em dúvida algumas certezas estabelecidas dentro do clã.
 
O conde Robert (Hugh Bonneville), sua mulher, Cora (Elizabeth McGovern), o genro Tom Branson (Allen Leech) e sua nova mulher, Lucy (Tuppence Middleton), além do antigo mordomo, Carson (Jim Carter), partirão para esta villa na Riviera Francesa, a convite do filho do velho marquês falecido, que a destinou por testamento à condessa-viúva - deixando entrever que, por trás disso, pode ter havido um romance secreto no passado. Enquanto isso, lady Mary (Michelle Dockery) cuidará para que a mansão da família não sucumba à invasão dos bárbaros do cinema, comandados pelo diretor Jack Barber (Hugh Dancy).
 
Não é preciso muito esforço para que Fellowes e o diretor Curtis mantenham o interesse, tendo-se em vista a grande quantidade de incidentes para que a história caminhe nas suas próprias pernas, dando a cada um dos atores a chance de pequenos solos. Para os muitos fãs da série, é uma delícia rever tantos personagens queridos em situações cômicas e ternas, dando a cada um a chance de alguma felicidade e futuro. 
 
O futuro, bem, não está à disposição de todos, na verdade - há uma morte muito sentida neste que parece ser o capítulo final da história. Mas, nunca se sabe. Se houve algo que a série e os longas souberam fazer foi reinventar-se com estilo - um bom exemplo aqui é a inserção dos dilemas criados pela chegada do som ao cinema, mudando completamente as expectativas da trupe que veio filmar em Downton Abbey e que pode acabar, do dia para a noite, com a carreira dos dois astros do filme, Guy Dexter (Dominic West) e Myrna Dalgleish (Laura Haddock). 
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