02/07/2026
Terror Fantasia Drama

Como Matar A Besta

A jovem Emilia vai à região da fronteira entre a Argentina e o Brasil, à hospedaria de uma tia, na esperança de reencontrar seu irmão mais novo. Chegando lá, descobre que uma fera ronda a vila e devora os animais.

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Como Matar A Besta, primeiro longa da argentina Agustina San Martín, começa com uma imagem ambígua: o céu está coberto de nuvens e está escondendo ao Sol – ou pode ser a Lua. E é nesse terreno das incertezas, das aparências enganadoras, que transita o roteiro, também assinado pela diretora. O cenário é um pequeno vilarejo na fronteira entra Brasil e Argentina, uma região coberta de florestas – o que o torna uma espécie de terror tropical.
 
Emilia (Tamara Rocca), a protagonista, liga para seu irmão, Mateo, de quem está distante desde que a mãe o mandou viver com a Tia Inês (Ana Brun), dona de uma pousada naquele lugar. Após uma tragédia se abater sobre a família, a jovem tenta se reconectar com o irmão, que não vê há algum tempo, mas isso não parece ser uma boa ideia.
 
Ao chegar lá, descobre que os moradores estão obcecados com a ideia de uma fera que teria se originado das almas dos homens maus que viviam ali, tornando-se monstros ao morrer. É uma lenda local que aterroriza a todos e parece, com o tempo, se materializar. Obviamente, Como Matar A Besta transita no terreno das sugestões – o que é real, o que é delírio pessoal e coletivo etc.
 
San Martín trabalha no campo do gótico, adaptando-o para seu contexto – tal qual fazem as escritoras Mariana Enríquez (Nossa Parte da Noite) e Silvia Moreno-Garcia (Gótico Mexicano), que trazem o gênero para a especificidade da América Latina. Ao transpor os temas e motivos para um cenário historicamente tão marcado pela opressão e o totalitarismo, a cineasta (assim como essas duas escritoras) representa os anos de colonialismo – seja o assumido do passado ou o econômico e politico do presente.
 
Em pouco menos de 80 minutos, a cineasta constrói um filme calcado na atmosfera, no cenário, na escuridão onde se dão as cenas, e também no machismo tipicamente latino que não resiste, em especial, a se materializar diante de uma mulher sozinha.
 
A direção segura de San Martín, fortalecida pela bela fotografia da também argentina Constanza Sandoval, faz dessa uma estreia particular, o anúncio de um talento a se prestar atenção que, tal como sua protagonista, enfrenta a fera olhando-a nos olhos.
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